queermondego: 07/01/2004 - 08/01/2004

Saturday, July 31, 2004

 



Vamos vulgarizar o nosso corpo?
Todos nós sabemos o quanto o sexo é bom. Gostamos muito de o fazer, muitas vezes, com várias pessoas de preferência todas ao mesmo tempo. Mas porque se troca constantemente de parceiro sexual? Para demonstrarmos que somos tão bons que ninguém nos resiste ou porque nos excita faze-lo com tudo o que nos aparece à frente? Se no primeiro caso posso afirmar que o facto de conseguir engatar alguém não valoriza ninguém, visto ser tão fácil faze-lo, o segundo já não o posso condenar… simplesmente suponho que não se consegue controlar o instinto animal.
Existem também os reservados, aqueles que só praticam sexo com alguém especial… ok, não se esqueçam então de ponderar o grau de incerteza que Toth tão bem define em “O primeiro tijolo” (http://www.designiosdetoth.blogspot.com/).
Um equilíbrio é necessário… Se por um lado nos devemos preservar, para não se cair na vulgaridade, por outro lado ao experimentar várias experiências a nível sexual não estaremos a refinar o Prazer de forma a encontrar o que é realmente essencial para cada um de nós a este nível? Até que ponto se devem estabelecer limites neste campo?

Thursday, July 29, 2004

 



“Escritor de enormes poderes inventivos, Ballard revela, tal como Calvino, um notável talento para mostrar os espaços vazios e devastados da vida moderna, com as suas cidades invisíveis e os espantosos mundos da imaginação”

Malcon Bradbury, no New Tork Times Book Review

David Cronenberg, pegando em Crash, conseguiu brilhantemente transpor para o grande ecrã um desses mundos que Ballard revelou neste clássico da literatura de vanguarda. Vencedor do prémio especial do júri de Cannes em 1996, com grandes interpretações de James Spader, Holly Hunter e Elias Koteas, nos papéis principais, Crash alerta-nos sobre até que ponto as relações entre os seres humanos podem chegar numa sociedade regida pela tecnologia e pelo sexo, sem grandes alternativas excitantes, dando a conhecer um possível refúgio para se recorrer em situações extremistas. 10/10

http://www.finelinefeatures.com/crash/

Wednesday, July 28, 2004

 



Quando saí do bar ainda esperei por Ele enquanto fumava um cigarro. Fiquei à espera um pouco mais abaixo (da saída da discoteca) encostado à parede enquanto pensava no que tinha acabado de acontecer. Estava a custar-me aceitar o facto de O ver conversar tão entusiasticamente com outra pessoa. Seria eu apenas mais um engate? Eu não O via dessa forma, tinha criado a ilusão que Ele também não me via assim. Não apareceu… confuso e um pouco magoado decidi ir para casa.
Enquanto me dirigia ao carro, encontrei duas caras conhecidas, perguntaram se estava bem, respondi que sim, não me estava a apetecer partilhar o que estava a sentir naquele momento. Mantivemos uma breve conversa de circunstância e segui o meu destino, enquanto continuaram alegremente para a sauna.
Quando cheguei a casa não estava cansado, muito pelo contrário, estava demasiado à alerta, demasiado frustrado, sentia a impotência a apoderar-se de todo o meu corpo. Nessa noite tinha falhado. Ainda não tinha conseguido. Incomodava-me o facto de ser visto como mais um, sobretudo estando Ele em questão. Mas ao mesmo tempo pensava demasiado em todo o contacto que ouve, excitavam-me estes pensamentos.
Na falta de melhor alternativa decidi ir até à Internet ver um pouco de pornografia, de certeza que iria acalmar se me masturba-se antes de deitar… foi o que fiz, descarreguei um vídeo onde o sexo era rude e impessoal. Olhava para a expressão da cara de ambos, da de prazer do rapaz que estava de pernas abertas a ser penetrado e para a primitiva do que o possuía. Os gemidos pareciam sinceros aumentando de intensidade à medida que o activo penetrava com cada vez mais violência. A junção do que estava a ver com o que tinha acontecido fez-me rapidamente ter uma erecção. Desapertei o cinto das calças e de seguida os botões, libertei-me dos boxeurs e comecei a acariciar-me sentado na cadeira em frente ao ecrã do computador, sentia a excitação no meu corpo acompanhada de um travo de insatisfação. Acariciava-me cada vez com mais intensidade e comecei a pensar exclusivamente Nele, e quanto mais pensava mais perto de me vir me encontrava, pensava nos olhos Dele, na forma como me tocou, na forma como me beijou, mais uma vez nos seus olhos quando deixei de controlar o ritmo e vim-me… Fiquei surpreendido com a minha reacção, não consegui controlar o gemido que soltei, senti um arrepio demasiado intenso a percorrer toda a espinha em direcção à cabeça, como que de uma injecção de uma droga se tratasse, senti os músculos das pernas a contraírem-se uma, duas, três vezes. Fiquei desorientado. Soltei uma lágrima que me escorreu pela face em direcção ao pescoço e voltei lentamente à realidade… Ele neste momento estava com outro. Limpei-me e fui até à varanda onde me pus a fumar mais um cigarro e a pensar nas reacções que Ele era capaz de me provocar. Os meus pensamentos foram interrompidos por dois carros que pararam lado a lado em frente ao edifício, onde ficaram assim por breves instantes, não reconheci nenhum deles. Passado pouco tempo passou uma mota a alta velocidade, e foi por essa altura que acabei de fumar o último cigarro da noite, senti-me esmorecer, fui para o quarto onde alcancei uma leve sensação de segurança. Estava no meu território, no entanto a essa sensação juntou-se um grande vazio… não se encontrava ninguém à minha espera na cama para o preencher!

Manuel

Tuesday, July 27, 2004

 


PJ Harvey – Rid of Me

Como se lida com a situação de perder alguém que é essencial ao nosso íntimo? Grita-se desesperadamente, implora-se, tenta-se mostrar o que a outra pessoa vai perder:
“I beg you, my darling\ Don't leave me, I'm hurting\ Lick my legs I'm on fire\ Lick my legs of desire\ I'll tie your legs\ Keep you against my chest\ Oh, you're not rid of me\ Yeah, you're not rid of me\ I'll make you lick my injuries\ I'm gonna twist your head off, see\ Till you say don't you wish you never never met her?”. Tem-se consciência do sucedido mas ainda se sente a necessidade de entrega e de reaver quem parte… tem-se coragem para admitir isso? PJ Harvey tem. Coragem e honestidade serão provavelmente as palavras que melhor podem definir a obra desta senhora. Neste álbum canta-se a perda mas não só, canta-se também a audácia, a fragilidade e a perversão. Toda a obra de PJ Harvey é trespassada por estes aspectos mas nunca como em Rid of Me é nos dado a conhecer de uma forma tão primitiva e tão grotesca simultaneamente adocicada com o veludo que só uma grande voz é capaz de alcançar... Berra-se desalmadamente para exorcizar a dor, para lidar com a inconformidade, para mostrar que sé é forte, admite-se a realidade tendo coragem de a enfrentar marcando uma posição… Aqui revelasse e despoja-se a alma da forma mais directa possível. Com um conjunto reduzido de músicos que exemplarmente encontram no caos e no ruído a melodia, Robert Ellis na secção rítmica e coros; Steven Vaughan no baixo; que acompanham Harvey na voz, guitarra, violoncelo, violino, e órgão, reinventam-se os blues dando origem uma obra-prima justamente reconhecida pela crítica mundial especializada como sendo um dos melhores álbuns dos anos 90. Pode ser um álbum rude mas pode oferecer uma empatia total. Para ouvir solitariamente. 10/10

http://www.pjharvey.net/

Monday, July 26, 2004

 



Tive alguma dificuldade em seguir o Jorge, que conduzia como um louco a fugir de algum pensamento que o atormentava. O caminho foi quase todo feito numa média de 100 km/h o que naquela zona da cidade era complicado de se fazer devido à enorme quantidade de semáforos que surgiam pelo caminho… muitos amarelos foram passados por ele e alguns vermelhos por mim. Seja como for essa adrenalina excitava-me cada vez mais. No entanto houve uma redução brusca de velocidade de um momento para o outro, numa zona onde podíamos ter chegado aos 150 km/h sem grande esforço, à qual se seguiu um estacionamento em plena estrada.
Parei o meu carro em contra mão ao lado do dele e fui encontra-lo a olhar para um edifício à nossa esquerda na direcção do quinto andar onde se via com alguma dificuldade a silhueta de uma pessoa que levava de vez em quando um cigarro à boca não dando para aperceber de quem se tratava, pois embora fossem altas horas da madrugada ainda não tinha amanhecido, naquela noite quente de Julho. Esteve assim durante três a quatro segundos antes de se virar para mim e, lançando um resignado olhar sorridente, arrancou novamente a alta velocidade. Continuando em contra mão persegui-o de imediato até que consegui por o meu carro a par do dele, mas ao fim de escassos segundos, fui obrigado a uma travagem brusca devido a uma mota que vinha a grande velocidade na minha direcção. Ele não reduziu a velocidade. Vi o carro a desaparecer entre o clarão de luz que vinha ao meu encontro enquanto sentia por todo o meu tronco a pressão exercida pelo sinto de segurança…
Deixei de ver o que quer que fosse além de toda aquela claridade, fechei os olhos e de repente nada… apenas escuridão à qual se juntou o silêncio após uma dura travagem que cortou o ar com um som estridente. Respirei fundo e abri os olhos como se tivesse acordado naquele momento. Com dificuldade comecei a distinguir novamente tudo que me rodeava, olho pelo retrovisor, o condutor da mota conseguiu desviar-se da rota do meu carro passando pelo meu lado direito, e vejo ser-me enviado um pirete. Nesse instante recuperei rapidamente os sentidos, ficando completamente à alerta enquanto sentia todo o efeito do álcool a esvanecer-se. A mota foi-se e eu voltei para a faixa correcta conduzindo furioso o mais depressa que me era possível até que, passado cerca de dez minutos, encontro o carro do Jorge estacionado na berma, reparei que não se encontrava ninguém dentro. Estaciono poucos metros à frente, saí do carro e olho em direcção à praia onde vejo alguém a caminhar em direcção ao mar, supus que era ele. Chamo-o mas não obtive resposta e então decidi ir na direcção dele para não o perder de vista devido ao denso nevoeiro que se estava a levantar.
O vulto sentou-se na areia o que me fez acelerar o passo para ver se reconhecia o rosto o mais depressa possível, quando reparei num isqueiro a ser aceso várias vezes consecutivas. Provavelmente era o mesmo isqueiro que serviu para acender o meu cigarro antes do moreno ter aparecido e muitas outras depois de se ter ido embora. Aproximei-me sentindo um cheiro adocicado no ar, até que reconheci o rosto e o isqueiro, e enquanto olhava para as mãos dele, disse-me: - vamos estimular a imaginação!

José

Sunday, July 25, 2004

 

Ruesta é uma localidade, nos Pirinéus Aragoneses, abandonada depois da construção de uma barragem nos anos 50. Desde 1988 que é gerida pela Confederacion General de los Trabajadores.

É lá que se realiza este ano o Acampamento Internacional de Jovens Revolucionários sonde participo pela 5ª vez… e mais um ano as minhas férias vão ser passadas no ambiente único que ali se cria durante uma semana…




Na próxima terça viajo até lá… mas prometo que darei notícias e relatos animados da minha semana de férias!

Aqui fica um texto em castelhano sobre o campo deste ano

“Después de veinte ediciones, el Campamento de Jóvenes Revolucionarios, organizado por las secciones de la IV y por las organizaciones amigas como Espacio Alternativo, llega al Estado español. Durante una semana, del 25 al 31 de Julio, cientos de jóvenes resistentes de todos los países de Europa y de algunos de África y América se darán cita en Ruesta, localidad del Pirineo Aragonés que gestiona en régimen de cesión la CGT. Las temáticas más variadas, desde la nueva situación política provocada por la derrota del PP, pasando por las luchas de las mujeres y del movimiento gay-lésbico-transexual o el relato en vivo de la resistencia contra el Plan Hidrológico Nacional, ya que Ruesta era uno de los pueblos afectados por el Trasvase del Ebro, serán debatidas durante el evento”

 



o nosso novo membro tem escrito muito... no queermondego a preguiça tem sido uma marca... e a “bichinha” veio alterar o estado da coisa e animar as hostes...
gosto dos seus textos, dos seus contos, da sua vontade de marcar este blog com a “densidade” que vai colocando em tudo que escreve… e que tanto diz sobre ele...

como é, entre nós, o maior conhecedor de música e de cinema… um dia destes começará a brindar-nos com as sua crónicas musicais e cinéfilas... além dos seus contos

PS: ele aparece na foto da Marcha do Orgulho LGBT que publicamos com cortesia do PG (obrigado meninos do Porto)

 



Nessa noite não fodemos…. Virou-se para mim e disse-me que precisava de ir à casa de banho deixando-me de seguida. Esperei cerca de vinte minutos pelo regresso Dele, mas não voltava, então dirigi-me ao bar onde pedi uma vodka limão, pois precisava de descontrair um pouco. Tinha sido bastante intenso o que aconteceu deixando-me ansioso o facto de ter sido abandonado.
Enquanto esperava pela minha bebida acendi mais um cigarro percorrendo varias vezes o local com o olhar para ver se O encontrava, mas nada. Reflecti um pouco sobre o que tinha acontecido, mas não durante muito tempo uma vez que os meus pensamentos foram interrompidos por alguém que me pediu lume, olhei para o rapaz directamente nos olhos e reconheci-o, o que me fez sorrir cinicamente enquanto procurava no meu bolso o isqueiro, que ao fim de pouco segundos se encontrava nas suas mãos sendo devolvido juntamente com o comentário: - vejo que o teu amigo conseguiu resistir-me e aos teus olhos azuis mas eu não sou tão forte quanto ele. Sorri; é sempre bom ser engatado, confesso que me levanta bastante a auto estima, iniciei uma conversa com o rapaz até que O vi a vir na minha direcção, olhando para o intruso ao meu lado com uma expressão interrogativa, que de seguida foi trocada por outra dotada de uma seriedade que até então nunca tinha sido manifestada perante mim. Reparei que os dois ficaram sem saber muito bem como reagir mas Ele, como sempre, com uma atitude calma, embora desta vez mantida com um pouco de esforço, aproximou-se de mim e disse-me que a sua demora se deveu à fila enorme que estava para ir à casa de banho e que quando finalmente tinha conseguido mijar, encontrou um conhecido que não o largou até quase lhe vomitar em cima. Após me ter dito isso esboçou um sorriso forçado, olha de lado para o rapaz e disse-me que se ia embora. Propus sair com Ele mas obtive uma resposta negativa acompanhada da última frase que me dirigiu nessa noite: - vejo que há pouco o devia ter deixado participar. Olhou primeiro para mim, depois para o rapaz, e antes que eu tivesse alguma reacção virou-se e dirigiu-se para a caixa de pagamento. Tentei ir ou seu encontro mas fui impedido por uma mão que me prendeu, dei meia volta um pouco irritado enquanto me libertava calmamente, olhei para o rapaz e disse-lhe que conversaríamos noutra altura o que foi aceite com um aceno de cabeça acompanhado de um enorme sorriso, virei-me bruscamente em direcção à caixa, mas devia ter controlado esse impulso que foi seguido de um único passo antes de ter uma quantidade incrível de cerveja em cima e de alguém a olhar para mim com uma cara ameaçadora acompanhada de uma chamada de atenção para ver por onde ando. Mas essa cara rapidamente mudou de expressão… era o um conhecido meu, integrado no grupo daqueles que pensam que ficam nossos amigos após se ter ido uma vez para a cama com eles, que começou entusiasticamente a falar comigo.
Enquanto isto acontecia, olho em direcção à porta de saída… vejo-O a ir-se embora sem se virar uma única vez na minha direcção. Não me restou mais nada a não ser acalmar enquanto ouvia vezes sem conta o quanto uma noite qualquer tinha sido inesquecível, o quanto é incrível o meu sedoso cabelo castanho, o meu bronze e o meu corpo tonificado.

Jorge

Saturday, July 24, 2004

 



Mais uma vez cá estou eu isolado em minha casa a fumar um cigarro e a pensar sobre o que de emocionante aconteceu comigo nestes últimos dias. Sou um rapaz com vinte e três anos, de estatura média, moreno, a precisar de sair de casa para apanhar um pouco de bronze. Se vos interessar este pormenor, sou homossexual. Mas deixo de lado, por agora, as descrições pois o que me interessa é partilhar convosco a minha experiência de sexta-feira passada.
Tal como todas as sextas saí à noite indo parar à discoteca, que habitualmente frequento, acompanhado de um grupo reduzido de amigos que me foram abandonado com os engates que entretanto fizeram. Pela altura em que todos eles já me tinham deixado sozinho, e me encontrava mais embriagado do que devia, ainda haviam disponíveis dezenas de rapazes bonitos e sensuais, naquela forma pré-estabelecida aprendida em lugares comuns o que me transmitia a sensação que nada de novo se passava. Entretanto surge um atrás de mim, que me diz que não entendia porque é que o gajo mais bonito do sítio continuava sozinho a essas horas da noite; olhei para ele, e embora servisse para ter uma noite excitante de sexo simplesmente respondi a primeira coisa que me passou pela cabeça: - porque posso escolher. Bastante presunçoso, admito, mas a minha mente encontrava-se noutro sítio.
Nessa noite dançava na pista aquele rapaz com o qual já tinha cruzado várias vezes o olhar e com quem já tinha conversado outras tantas sobre assuntos de uma futilidade extrema, mas que revelavam uma personalidade coerente, no entanto ainda não tinha acontecido nenhum contacto físico mais íntimo embora fosse bem evidente, de ambas as partes, que a tensão eminente para que isso acontecesse era mais que muita. Mas gostava do facto que isso se mantivesse assim. Talvez o mais interessante que estava a acontecer entre nós fosse essa ausência de contacto físico; transmitia algum carisma da parte dele.
Afinal não… o mais interessante acabou por se revelar mais tarde. Já o tinha perdido de vista à bastante tempo e já estava farto de ouvir música sem grande substância estando prestes a ir embora quando alguém surge por trás de mim e sussurra ao meu ouvido: - excita-me o facto de te poder ter e de não o fazer, mas hoje quero-te. Viro levemente a cabeça e vejo que era ele, sorri e encostei-me o mais possível, estiquei o pescoço, o qual começou a beijar levemente como se tivesse medo que a qualquer momento estilhaça-se, abraçou-me e tocou-me na maior parte das zonas sensíveis do meu corpo. Excitou-me imenso tudo isso o que me levou a roçar várias vezes no sexo dele.
Estivemos cerca de meia hora assim, dançado ao ritmo de uma música que o DJ não passava até que apareceu alguém à minha frente e me perguntou se podia juntar-se a nós. Eu sorri... e encostando levemente os lábios ao ouvido do intruso disse: - não fazes parte deste mundo.

Manuel

Friday, July 23, 2004

 



Não deixa de ser interessante reflectir na ideia que a nossa espiritualidade não pode ser despojada da nossa sexualidade. Afinal de contas como se constrói um ser espiritual? Passando pela afirmação que o nosso ser sexual deve ser controlado?
Pegando nesse princípio podemos então afirmar que ao longo da nossa vida definimos determinados parâmetros que irão condicionar o nosso comportamento sexual perante os outros, que podem ser ou não discutíveis, dado que, cada um tem os seus, no entanto condicionam os nossos actos na interacção com as pessoas, permitindo moderar as nossas acções. Esses ideais vão sendo consolidados ao longo do tempo, no entanto algo de inesperado pode surgir para fugir à monotonia que pode acabar por se instalar no nosso quotidiano… quebrar, inconscientemente ou não, os mesmos, uma vez que provavelmente acaba por ser essa ruptura que faz com que surja algo de entusiasmante e refrescante no nosso íntimo. Aparece assim uma ruptura no nosso espírito, afectando-o. Podendo-se fazer da quebra dos seus ideais uma constante… no entanto ao fim de um determinado tempo o que vai acontecer quando todos os esses, os espirituais de origem forem corrompidos? Vamos corromper os novos já formados (a quebra deles) e voltar de novo à base tentando ir de encontro à suposta pureza do nosso ser? E quanto tempo irá permanecer isso assim? O tempo necessário para que uma nova ruptura seja outra vez entusiasmante? Entramos assim num ciclo vicioso e começamos apenas a refinar aquilo que ao fim de duas ou três dezenas de anos aprendemos? Ok… será uma alternativa, e nem sequer me interessa afirmar se é a melhor ou não. Agora importa reflectir se é uma alternativa viável face ao aperfeiçoamento e consolidação de ideais que vão sendo estabelecidos como correctos por nós que permitem construir um ser espiritual e sexual coerente e de confiança ou será apenas uma via fácil para atingir algo efémero.

 



Morreu… neste país em que cultura continua e ser tratada como enteada da política real… morre uma das figuras impares da nossa alma… vou ouvir a sua música!

Thursday, July 22, 2004

 

 

Hoje apetece-me divagar um pouco sobre a felicidade numa relação… Confesso que sempre me senti bastante impotente perante a complexidade que estas podem atingir… De facto todos nós aprendemos a sonhar com algo baseado nos contos de fadas com que crescemos, no entanto os anos passam, as experiências acumulam-se, e tudo o que supostamente foi idealizado vai desaparecendo aos poucos até que acaba por desaparecer completamente... Inicia-se assim uma fase esquizofrénica na nossa vida: tentar ser feliz tendo consciência que a vida não é nenhum “mar de rosas” e que temos que aprender a construir uma relação baseada na realidade que nos rodeia. O que nos resta então fazer? Até que ponto nos podemos empenhar numa história que sentimos que nos pode fazer feliz? Por muito que exista dedicação e lealdade os obstáculos serão muito mais.Sim… Acredito que a felicidade existe, no entanto seremos também felizes quando o nosso companheiro discorda connosco, quando não partilha o momento mais fútil da sua vida, quando não partilha o seu interior tanto quanto gostaríamos, entre muitas outras barreiras que eventualmente surgem? A nossa, terá que saber adaptar-se, porque existe algo inexplicável que nos mantêm unidos a essa pessoa… no entanto até que ponto nos devemos adaptar? Não se corre o risco de cair no ridículo de estarmos constantemente a adaptar e chegarmos ao ponto que a única coisa que temos feito é isso mesmo, até nos tornarmos completamente adaptativos, e empenhamo-nos tanto que simplesmente nos esquecemos nós próprios de ser felizes? Ou então simplesmente ficamos à espera que a outra pessoa nos deixe feliz sem nos apercebermos que a reciprocidade deve ser constante numa relação. Acredito que a felicidade não passa por esses extremos, mas é muito fácil cair neles.Sinceramente gostava de defini-la nos tempos que correm… acredito simplesmente que existe… que aparece e desaparece e volta a aparecer, não acredito no seu fim, mas gostava que estivesse sempre presente.

 



ok mais um amigo se juntou ao queermondego…

a nossa Bichinha… irá animar as hostes… e que tal a nossa foto numa acção de batalha queer?

 




Hoje estou cansado… muito cansado… mesmo muito cansado… o dia de trabalho hoje foi de loucos… está tudo louco com tanta coisa para fazer… tenho mesmo que viajar… de ir para longe

Tuesday, July 20, 2004

 



uma nova moda? ou a utilização de mais um discurso de raiz homófoba nas sociabilidades homossexuais... um caminho de uso do discurso do preconceito para visibilizar a homossexualidade?
 
não sei! pessoalmente não gsoto da sonoridade do hip-hop/rap e por isso não me atrai... mas a ideia até que tem alguma piada... já agora e na mesma linha, para quando um fado homossexual, ou se quisermos homofado?

Sunday, July 18, 2004

 

Temos um governo novo… de que eu não gosto!
 
Temos um governo divertido que me levou a escrever junto do nome de cada ministro um nota pessoal…provocatória e politicamente incorrecta
 
Leiam e comentem…

 
Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes.
Um homem que todos sabemos gosta da noite, das borgas, e das cachopas… os meus amigos da Figueira tem cada história!
O gajo que apoia as actividades LGBT desde que longe das vistas… que tal colocar toda a comunidade algures no interior de Portugal?
 
Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto.
Sobrinho e herdeiro de um dos mais afamados salazaristas de Coimbra, é o homem dos lobies do eucalipto, do girassol no latifúndio alentejano para receber fortunas da União Europeia, que são encaminhadas para o novo modelo da Mercedes!
 
Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas.
O Paulinho das Feiras ou o Paulinho do Kremlin? Qual teremos e qual queremos?
Já agora para quando os meios de comunicação social deixam de o apoiar, ou de ter medo dele? Ou quando é que ele constitui a família tradicional que defende…
 
Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento.
Boxe… o homem gosta de boxe.. mas a sua actual barba faz dele, na minha opinião o mais atraente ministro que temos! Um dia gostava de beber um copo com ele
 
Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix.
È evidente que não gosto dele, tenho alguns problemas com gente da Opus… mas aquilo que acho mais estranho é o facto de ele fazer parte do mesmo governo que o Paulinho? Onde estão os rígidos princípios da Opus? Ou será que os meios justificam os fins?
 
Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro.
Um embaixador polémico para um lugar polémico… gostava da “tia” Teresa!
 
Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches.
Do SIS para chefe do SIS… é o lobi laranja de Dias Loureiro, centrado no aparelho de Coimbra a funcionar!
 
Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut.
Do Euro 2004 ganha as Cidades… e acima de tudo o controlo do FEDER e dos dinheiros comunitários
 
Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco.
Um advogado conservador no ministérios da moda? E como vão ser agora feitas as reformas?
 
Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves.
Ok.... o problema das quotas leiteiras excedentárias dos Açores – a agricultura é a maior fonte de poluição do arquipélago – está resolvido!?
 
Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra.
Um economista tecnocrática à frente de um dos ministérios mais políticos? Aí… a educação deste país?
 
 Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho.
Propinas… e financiamento da investigação científica serão dores de cabeça grandes nos próximos tempos…
 
Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira.
Sou fã… gosto dele… é um homem bonito, discreto… mas que enche as medidas…
 
Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão.
Família e Criança? Quem inventou esta? A Opus? Que horror… com o conceito de família que este governo tem… e as crianças? As que têm família ou as sem família que são continuamente abusadas nos estabelecimentos do estado ou que este apoia?
 
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia.
Lobi…Galp… PT & C.a
 
Ministra da Cultura: Maria João Bustorff Silva.
Espírito Santo ou Lobo Antunes? De que lado baterá o coração da nova ministra?
 
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes.
Para que o ministério do Ambiente? As afirmações do PP são agora colocadas à prova na melhor pessoa para dar cabo destas políticas sectoriais
 
Ministro do Turismo: Telmo Correia.
O ministro dos Ingleses no Algarve, dos Alemães na Madeira e do “Vá para fora cá dentro! O grande defensor das Pontes nos feriados?
 
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves.
Um amigo sempre pronto a ajudar!!!
 
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva.
O apoiante de todas as horas que nos irá divertir com algumas das suas gafes… históricas
 
ufff… é muita ministro

Friday, July 16, 2004

 



ontem andei pelo Porto...

até há alguns anos atrás tinha uma relação depressiva, fria e distante com a ‘capital do norte’... mas algures em 2001 descobri um “porto sentido” apaixonante e encantador!
nessa nova cidade descoberta, as pontes são um elemento fundamental da minha vivência! pois é... o Porto para mim é as suas pontes e as suas margens, e muito, o seu rio... quero voltar sempre a entrar no Porto de comboio e olhar para os belos arcos que quebram o céu!

Thursday, July 15, 2004

 



mas o bruno não foi o único... também a kátia que trabalha comigo, defendeu ontem a sua tese de mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE, intitulada Diáspora: A (Décima) Primeira Ilha de Cabo Verde A Relação entre a Emigração e a Política Externa Cabo-Verdiana

para ela vai também um abraço especial e... uma foto da sua ilha... o FOGO...

 



foi nesta bela casa - um dos edifícios da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra - que o amigo Bruno Sena Martins (http://avatares-de-desejo.blogspot.com/) defendeu a sua tese de mestrado ontem...

o pessoal do queermondego manda um abraço especial para uma dos mais fascinantes pessoas que todos conhecemos...

 



que horror estamos em meados de julho e este ano ainda não fui à praia... e não sei quando irei?! que seca muito trabalho e nada de banhos... fins de semana de activismo uns a seguir aos outros... e a Matinha (a área sul da Praia de Mira) e a Gala (a sul da Figueira da Foz) aqui tão próximas! ok sábado vou a banhos! nem que seja uma horita... pois tenho uma tarefa gigantesca para fazer até à próxima semana...

Thursday, July 01, 2004

 


ok não é o meu preferido mas vale a pena olhar...

li hoje atentamente o post do Miguel sobre o futebol... mas eu - gregariamente - não consigo deixar de gostar... ontem adorei o jogo! que belo espectáculo e o "Cris" foi máximo!