Wednesday, March 24, 2004
Até à próxima se não for antes...
Bom, ao longo destes meses afinei o meu piano!
Estou pronto para voos mais altos, o Queer Mondego é demasiado pequeno e pouco para mim.
Dou por encerrada a minha aventura Queer, pois a minhas necessidades e exigências são maiores.
Apenas digo que achei interessante a ideia de várias Pessoas se exprimirem cada um da sua forma! Contudo concluí que a diferença por vezes torna-se demasiado dolorosa, incomodativa e mesmo incompatível, daí que chegou a hora de ir “vender o meu peixe” para outro lado! (risos)
Há uma coisa que quero explicar antes de sair: escrevi num blog chamado Queer Mondego, porque existe uma teoria justamente com esse nome e que estou a estudar! No entanto pelo pouco que sei, achei que Queer estava em sintonia! Queer pode ser “bichona” em inglês (Como “iluminadamente” aqui referiram), mas é também todo um conjunto de estudos relacionados com sexualidade e questões de género. Por isso escrevi para este blog e afirmo que foi muito gratificante até agora...
Resta-me deixar-vos o meu contacto, porque nunca acedi ao mail do blog: Mikkelys@mail.pt.
Um abraço a todos os fiéis leitores, e havemos de nos encontrar.
Miguel
Estou pronto para voos mais altos, o Queer Mondego é demasiado pequeno e pouco para mim.
Dou por encerrada a minha aventura Queer, pois a minhas necessidades e exigências são maiores.
Apenas digo que achei interessante a ideia de várias Pessoas se exprimirem cada um da sua forma! Contudo concluí que a diferença por vezes torna-se demasiado dolorosa, incomodativa e mesmo incompatível, daí que chegou a hora de ir “vender o meu peixe” para outro lado! (risos)
Há uma coisa que quero explicar antes de sair: escrevi num blog chamado Queer Mondego, porque existe uma teoria justamente com esse nome e que estou a estudar! No entanto pelo pouco que sei, achei que Queer estava em sintonia! Queer pode ser “bichona” em inglês (Como “iluminadamente” aqui referiram), mas é também todo um conjunto de estudos relacionados com sexualidade e questões de género. Por isso escrevi para este blog e afirmo que foi muito gratificante até agora...
Resta-me deixar-vos o meu contacto, porque nunca acedi ao mail do blog: Mikkelys@mail.pt.
Um abraço a todos os fiéis leitores, e havemos de nos encontrar.
Miguel
O computador é o meu piano!!!!
Tuesday, March 23, 2004
Fui...
Fui o que já não sou.
Sou o que sempre,
E nunca fui.
Sou todo o ser que É.
Sou todo o ser que um dia
Será...
Sou tudo o que sendo,
Um dia nascerá.
Sou tudo o que nasceu,
Sou tudo o morreu.
Sou tudo o que vive,
Com a simples glória
De ser Eu.
Sou o que sempre,
E nunca fui.
Sou todo o ser que É.
Sou todo o ser que um dia
Será...
Sou tudo o que sendo,
Um dia nascerá.
Sou tudo o que nasceu,
Sou tudo o morreu.
Sou tudo o que vive,
Com a simples glória
De ser Eu.
Sunday, March 21, 2004
Orgulhosamente Famintos...
É ao som de Boléro de Ravel (porque fica sempre bem uma sugestão) que inicio mais um pequeno texto desta vez para comentar o tema de capa de hoje do Público. Pelo menos 200 mil pessoas passam fome no nosso grande e decadente Portugal. Não só a fome como também a pobreza e todos os problemas sociais que a elas estão ligadas, o que me leva a dizer que o Público nos levou a viajar por um país bem diferente daquele a que concerteza todos nós que estamos sentados em frente ao nosso computador, completamente envoltos numa redoma que não nos permite contactar com a realidade desse nosso país.
200.000 seres humanos que passam fome num país pertencente à união europeia, do meu ponto de vista é algo que me escandaliza e me faz sentir uma revolta tamanha que na minha humilde forma de ver as coisas, aqui na minha pequena aldeia longe de tudo, atrevo-me a dar também o meu grito de revolta contra esses grandes senhores que governam e governaram o grande Portugal. 200.000 pessoas!!! Pelo menos 200.000 excluindo todas aquelas famílias que envolvidas na vergonha do que é não ter para comer, não se atrevem a pedir ajuda, porque se trata duma fome envergonhada, não me espanto, porque somos um povo orgulhoso, ou éramos... e habituado a essas desventuras desde há muito... a minha avó materna conta-me que passou a infância a partilhar uma sardinha com uma fatia de broa com as restantes irmãs, mas isso foi nos tempos da ditadura em que sabemos foi sem dúvida o período mais estúpido da nossa História, o que não se compreende é que em pleno século XXI ainda haja portugueses a viver como naqueles tempos, o que me leva a constatar que o progresso só chegou para alguns e afinal o 25 de Abril de 74 já foi há muito esquecido, não pelos portugueses mas sim pelos políticos portugueses, porque eles mais do que ninguém têm de ter vivo nas suas consciências toda a beleza que a revolução dos cravos anunciava, não quero com isto dizer que nós, povo, também não deva ter a sua responsabilidade, mas o que eu realmente acho é que cabe aos políticos de todos os quadrantes corrigir os grandes erros que têm sido cometidos legislatura atrás de legislatura.
Tudo isto para chegar àquilo que me revolta mesmo muito que é a mania que os políticos portugueses têm desde há não sei quanto que é a mania da projecção internacional, a mania do orgulho nacional que nos tem custado milhões e milhões de euros e eu pergunto-me para quê? Que é que nos tem dado toda essa projecção internacional como a expo 98 e agora o ridículo euro 2004. Tem-se gasto milhões em auto-estradas para quê se os portugueses não se atrevem a trocar de carro?. Vão gastar-se milhões no TGV, para quê, quando temos uma rede ferroviária extremamente deficiente e seria uma boa alternativa aos auto-estradas. Assiste-se orgulhosamente à praga de centros comerciais cada vez mais gigantescos, para quê? Se o poder de compra é cada vez menor!!!
Até já sonham com o aeroporto da Ota, mas para quê? Se o actual ainda satisfaz as nossas necessidades!
No entanto há maternidades a fechar por todo o país, há centros de saúde que fecham por falta de médicos que agora passam a gestores, o ensino hoje em dia é sem dúvida alguma, um luxo que não está ao alcance e todas as bolsas, e tal como ensino também a saúde em que hoje estar doente é também um luxo que só os mais remediados se podem valer. A Cultura e o acesso à informação em geral é coisa de ricos, e até a própria cultura está ameaçada com a falta de apoios. Temos todo um património Histórico que lentamente se vai degradando, temos todo um mundo rural e urbano que cada vez mais adulterado está, com esse caótico ordenamento do território. No entanto valores como a Defesa Nacional urgem ser preservados é preciso comprar aviões e submarinos que só vejo utilidade para que Portugal esteja à altura de fazer parceria nas guerras com Estados Unidos? Porque se estivermos sempre ao lado desse País somos também um país grande e com uma grande projecção internacional, motivo de orgulho portanto.
Pois fiquem a saber que não tenho o mínimo orgulho em todas essas tentativas que não são mais do que delírios de grandeza para compensar a terrível praga que é essa enorme falta de auto-estima e estado de depressão crónica em que se encontra o povo português!
Orgulhar-me-ei deste País quando a Educação a Saúde forem responsabilidade assumida do Estado, e portanto que desde o grande empresário até ao humilde camponês tenham acesso a elas.
Orgulhar-me-ei deste país quando me for agradável passear por ele fora e usufruir de toda a sua riqueza patrimonial e natural bem preservada.
Orgulhar-me-ei deste país quando o teatro, a dança, a música, os livros não forem só para alguns.
Orgulhar-me-ei deste país quando não houverem mais casos do saco azul e Casa Pia.
Orgulhar-me-ei deste país quando os idosos forem devidamente recompensados pelo grande tributo que deram à nação trabalhando de sol-a-sol.
Orgulhar-me-ei deste país quando não ler notícias como as que li hoje no jornal.
Orgulhar-me-ei quando tivermos políticos que realmente se batam por causas e acreditem nelas... quando houver políticos que conheçam realmente o País em que vivemos para depois não terem a cara de pau de o querer projectar a nível mundial.
Agora até há uns spots publicitários na TV que até parece que estamos a ver o Senhor dos Anéis (risos)... Mas tem a sua lógica porque nesse filme também tudo é fantasia.
E finalmente temos um primeiro-ministro que valha-me Deus! O homem já deu bem a entender que só não põe as mãos à cabeça e entra em pânico porque está bem consciente da responsabilidade que tem nas mãos!!!!
Atrevo-me a ter esperança que os Portugueses tenham a mesma coragem que os espanhóis tiveram, pois em breve se quisermos podemos dar-lhe uma coça, mas os portugueses não, os portugueses não são os espanhóis... o que me entristece...
200.000 seres humanos que passam fome num país pertencente à união europeia, do meu ponto de vista é algo que me escandaliza e me faz sentir uma revolta tamanha que na minha humilde forma de ver as coisas, aqui na minha pequena aldeia longe de tudo, atrevo-me a dar também o meu grito de revolta contra esses grandes senhores que governam e governaram o grande Portugal. 200.000 pessoas!!! Pelo menos 200.000 excluindo todas aquelas famílias que envolvidas na vergonha do que é não ter para comer, não se atrevem a pedir ajuda, porque se trata duma fome envergonhada, não me espanto, porque somos um povo orgulhoso, ou éramos... e habituado a essas desventuras desde há muito... a minha avó materna conta-me que passou a infância a partilhar uma sardinha com uma fatia de broa com as restantes irmãs, mas isso foi nos tempos da ditadura em que sabemos foi sem dúvida o período mais estúpido da nossa História, o que não se compreende é que em pleno século XXI ainda haja portugueses a viver como naqueles tempos, o que me leva a constatar que o progresso só chegou para alguns e afinal o 25 de Abril de 74 já foi há muito esquecido, não pelos portugueses mas sim pelos políticos portugueses, porque eles mais do que ninguém têm de ter vivo nas suas consciências toda a beleza que a revolução dos cravos anunciava, não quero com isto dizer que nós, povo, também não deva ter a sua responsabilidade, mas o que eu realmente acho é que cabe aos políticos de todos os quadrantes corrigir os grandes erros que têm sido cometidos legislatura atrás de legislatura.
Tudo isto para chegar àquilo que me revolta mesmo muito que é a mania que os políticos portugueses têm desde há não sei quanto que é a mania da projecção internacional, a mania do orgulho nacional que nos tem custado milhões e milhões de euros e eu pergunto-me para quê? Que é que nos tem dado toda essa projecção internacional como a expo 98 e agora o ridículo euro 2004. Tem-se gasto milhões em auto-estradas para quê se os portugueses não se atrevem a trocar de carro?. Vão gastar-se milhões no TGV, para quê, quando temos uma rede ferroviária extremamente deficiente e seria uma boa alternativa aos auto-estradas. Assiste-se orgulhosamente à praga de centros comerciais cada vez mais gigantescos, para quê? Se o poder de compra é cada vez menor!!!
Até já sonham com o aeroporto da Ota, mas para quê? Se o actual ainda satisfaz as nossas necessidades!
No entanto há maternidades a fechar por todo o país, há centros de saúde que fecham por falta de médicos que agora passam a gestores, o ensino hoje em dia é sem dúvida alguma, um luxo que não está ao alcance e todas as bolsas, e tal como ensino também a saúde em que hoje estar doente é também um luxo que só os mais remediados se podem valer. A Cultura e o acesso à informação em geral é coisa de ricos, e até a própria cultura está ameaçada com a falta de apoios. Temos todo um património Histórico que lentamente se vai degradando, temos todo um mundo rural e urbano que cada vez mais adulterado está, com esse caótico ordenamento do território. No entanto valores como a Defesa Nacional urgem ser preservados é preciso comprar aviões e submarinos que só vejo utilidade para que Portugal esteja à altura de fazer parceria nas guerras com Estados Unidos? Porque se estivermos sempre ao lado desse País somos também um país grande e com uma grande projecção internacional, motivo de orgulho portanto.
Pois fiquem a saber que não tenho o mínimo orgulho em todas essas tentativas que não são mais do que delírios de grandeza para compensar a terrível praga que é essa enorme falta de auto-estima e estado de depressão crónica em que se encontra o povo português!
Orgulhar-me-ei deste País quando a Educação a Saúde forem responsabilidade assumida do Estado, e portanto que desde o grande empresário até ao humilde camponês tenham acesso a elas.
Orgulhar-me-ei deste país quando me for agradável passear por ele fora e usufruir de toda a sua riqueza patrimonial e natural bem preservada.
Orgulhar-me-ei deste país quando o teatro, a dança, a música, os livros não forem só para alguns.
Orgulhar-me-ei deste país quando não houverem mais casos do saco azul e Casa Pia.
Orgulhar-me-ei deste país quando os idosos forem devidamente recompensados pelo grande tributo que deram à nação trabalhando de sol-a-sol.
Orgulhar-me-ei deste país quando não ler notícias como as que li hoje no jornal.
Orgulhar-me-ei quando tivermos políticos que realmente se batam por causas e acreditem nelas... quando houver políticos que conheçam realmente o País em que vivemos para depois não terem a cara de pau de o querer projectar a nível mundial.
Agora até há uns spots publicitários na TV que até parece que estamos a ver o Senhor dos Anéis (risos)... Mas tem a sua lógica porque nesse filme também tudo é fantasia.
E finalmente temos um primeiro-ministro que valha-me Deus! O homem já deu bem a entender que só não põe as mãos à cabeça e entra em pânico porque está bem consciente da responsabilidade que tem nas mãos!!!!
Atrevo-me a ter esperança que os Portugueses tenham a mesma coragem que os espanhóis tiveram, pois em breve se quisermos podemos dar-lhe uma coça, mas os portugueses não, os portugueses não são os espanhóis... o que me entristece...
Saturday, March 20, 2004
Sem Título
São meias irmãs
A Paixão e a Ilusão.
Ilusão a mais nova e ingénua
A Paixão mais velha
E verdadeira.
Ambas filhas da cegueira.
A Paixão É.
A Ilusão não É.
A Ilusão é o dízimo
A Paixão é inteira.
A Ilusão arrasta-se
A Paixão é erguida
A Ilusão é morte.
A Paixão... é Vida!
A Paixão e a Ilusão.
Ilusão a mais nova e ingénua
A Paixão mais velha
E verdadeira.
Ambas filhas da cegueira.
A Paixão É.
A Ilusão não É.
A Ilusão é o dízimo
A Paixão é inteira.
A Ilusão arrasta-se
A Paixão é erguida
A Ilusão é morte.
A Paixão... é Vida!
Thursday, March 18, 2004
CARPE DIEM
Quem me dera
Que a vida fosse recta
Como o mar,
No seu horizonte.
Mas não...
É fria e angulosa
Como o cume
Duma montanha!
Mas,
Se ao menos o alcançasse,
Tê-la-ia realmente vivido.
Que a vida fosse recta
Como o mar,
No seu horizonte.
Mas não...
É fria e angulosa
Como o cume
Duma montanha!
Mas,
Se ao menos o alcançasse,
Tê-la-ia realmente vivido.
Wednesday, March 17, 2004
OI!!!
Oi people do Queer Mondego!!!!
Que é feito de Vòs!!!!
LOLOL
Um abraço
Que é feito de Vòs!!!!
LOLOL
Um abraço
Tuesday, March 16, 2004
!! de Março
Aí está a Al-Qaeda volta a fazer das suas!
Desta vez foi esse grande país e grande povo que é a Espanha e os nossos vizinhos espanhóis (para mim, apesar do elogio não passam de vizinhos, nada de “hermanos” porque não gosto de misturas) que foi atingido e numa altura perfeitamente estragética!
É sem dúvida de lamentar que haja um movimento tão fanático como esse tal movimento que em nome do Al Corão esteja cada vez mais a causar o pânico no nosso mundo ocidental.
Como tive oportunidade de ler no jornal este atentado foi um já antigo ajuste de contas pela guerra contra o Islão. Não deixa de ser um argumento perfeitamente infundado e que sem dúvida só revela a cegueira dos que estão por trás dessa organização. No entanto não deixo de reconhecer que nós, cultura ocidental e cristã sem dúvida que devíamos repensar essa Reconquista Cristã dos tempos medievais, porque usámos a Bíblia para na altura atacarmos sociedades que tanto quanto sei eram altamente florescentes, abertas e tolerantes.
Mas o mais importante de tudo é que concluímos que esta maré de terrorismo veio para ficar e vai ser uma história que vai ter ainda muitos episódios e provavelmente muito sangrentos. Tal como dizem esses activistas do mal é um ajuste de contas que considero como sendo uma actividade desesperada de alguém que quer ser ouvido e anseia por fazer valer as suas crenças num mundo onde elas são completamente maltratadas que é o que nós (mundo Ocidental) tem feito contra o povo muçulmano, desde a Reconquista, passando pelo Afeganistão, Palestina e Iraque (três exemplos flagrantes)
È a grande guerra entre os Gigantes, que se dizem civilizados que detêm o poder e fazem uso dele para gerarem riqueza, e os pequenos “davids” que cegamente lutam da forma que podem, usando para isso a sua própria vida.
Tudo isto para dizer que em vez de declararmos Guerra ao Terrorismo talvez devêssemos declarar uma Reflexão Sobre o Terrorismo e combatê-lo não com mísseis nem em caças ao homem, porque isso sem dúvida que será apenas lenha para uma fogueira que perigosamente vai aumentando, mas sim percebendo-o e digo mesmo dando-lhe uma oportunidade para que ele se exprima devidamente para assim contribuir para uma melhoria significativa da Humanidade.
Chamo também a atenção para “o drama” que fazemos quando morrem meia dúzia de ocidentais num atentado bombista e esquecemos as Vítimas Silenciosas das sucessivas guerras provocadas pelos Estados Unidos. E pior que isso, as crianças e adultos que têm morrido desde que se declarou o embargo económico ao Iraque pelo simples facto de não terem medicamentos.
È caso para dizer com toda a crueza que “com o mal dos outros posso eu bem”.
Desta vez foi esse grande país e grande povo que é a Espanha e os nossos vizinhos espanhóis (para mim, apesar do elogio não passam de vizinhos, nada de “hermanos” porque não gosto de misturas) que foi atingido e numa altura perfeitamente estragética!
É sem dúvida de lamentar que haja um movimento tão fanático como esse tal movimento que em nome do Al Corão esteja cada vez mais a causar o pânico no nosso mundo ocidental.
Como tive oportunidade de ler no jornal este atentado foi um já antigo ajuste de contas pela guerra contra o Islão. Não deixa de ser um argumento perfeitamente infundado e que sem dúvida só revela a cegueira dos que estão por trás dessa organização. No entanto não deixo de reconhecer que nós, cultura ocidental e cristã sem dúvida que devíamos repensar essa Reconquista Cristã dos tempos medievais, porque usámos a Bíblia para na altura atacarmos sociedades que tanto quanto sei eram altamente florescentes, abertas e tolerantes.
Mas o mais importante de tudo é que concluímos que esta maré de terrorismo veio para ficar e vai ser uma história que vai ter ainda muitos episódios e provavelmente muito sangrentos. Tal como dizem esses activistas do mal é um ajuste de contas que considero como sendo uma actividade desesperada de alguém que quer ser ouvido e anseia por fazer valer as suas crenças num mundo onde elas são completamente maltratadas que é o que nós (mundo Ocidental) tem feito contra o povo muçulmano, desde a Reconquista, passando pelo Afeganistão, Palestina e Iraque (três exemplos flagrantes)
È a grande guerra entre os Gigantes, que se dizem civilizados que detêm o poder e fazem uso dele para gerarem riqueza, e os pequenos “davids” que cegamente lutam da forma que podem, usando para isso a sua própria vida.
Tudo isto para dizer que em vez de declararmos Guerra ao Terrorismo talvez devêssemos declarar uma Reflexão Sobre o Terrorismo e combatê-lo não com mísseis nem em caças ao homem, porque isso sem dúvida que será apenas lenha para uma fogueira que perigosamente vai aumentando, mas sim percebendo-o e digo mesmo dando-lhe uma oportunidade para que ele se exprima devidamente para assim contribuir para uma melhoria significativa da Humanidade.
Chamo também a atenção para “o drama” que fazemos quando morrem meia dúzia de ocidentais num atentado bombista e esquecemos as Vítimas Silenciosas das sucessivas guerras provocadas pelos Estados Unidos. E pior que isso, as crianças e adultos que têm morrido desde que se declarou o embargo económico ao Iraque pelo simples facto de não terem medicamentos.
È caso para dizer com toda a crueza que “com o mal dos outros posso eu bem”.
Thursday, March 11, 2004
Manhã
Deitada na cama.
Rendida ao dia
Que nem sequer começou.
Olhos fechados sem coragem
De os abrir.
Pensavas...
Em como seria bom
Não ter que levantar
Não ter que fazer
Não ter que Ser...
Num súbito lampejo
O mundo aguarda-te.
E sem ti...
Ele jamais fará sentido.
Rendida ao dia
Que nem sequer começou.
Olhos fechados sem coragem
De os abrir.
Pensavas...
Em como seria bom
Não ter que levantar
Não ter que fazer
Não ter que Ser...
Num súbito lampejo
O mundo aguarda-te.
E sem ti...
Ele jamais fará sentido.
Gritos mudos de mulheres
Em 1792, Mary Wollstonecraft na sua obra, A Vindication of the Rights of Woman, propunha a igualdade de oportunidades na educação, no trabalho e na política. Dois séculos e alguns anos mais tarde, continuamos a falar na importância da igualdade de oportunidades na educação, no trabalho e na política. Afinal, o que mudou? Relativamente a Portugal, houve alguns progressos registados: as mulheres, sobretudo a partir dos anos 70, começam a ingressar no mercado de trabalho de forma massiva (a taxa de actividade feminina em 2001 atingia os 45,5%); estão em maioria nas universidades, (em 1999, 6,1% das mulheres possuíam o ensino superior, em comparação com os 4,9% dos homens), começam a ganhar maior visibilidade em cargos políticos (em 1999 representavam no parlamento nacional, 20,9% do total de deputados). Porém, e apesar de algumas melhorias verificadas, as desigualdades entre homens e mulheres continuam a persistir e, nalguns casos, chegam mesmo a ser gritantes.
Apesar de a legislação prever a igualdade entre ambos os sexos em vários domínios da vida social, na prática, os números revelam uma clara descoincidência entre a law in book e a law in action. Ora vejamos: a taxa de desemprego é mais elevada nas mulheres do que nos homens (em 2001, atingia 5,1% das mulheres e 3% dos homens); em 2001, pelo mesmo trabalho, as mulheres auferiam apenas cerca de 77% da remuneração dos homens; são as mais atingidas pela precariedade do vínculo contratual; trabalham, em média, mais duas horas do que os homens; continuam a ser elas a cuidar das crianças e/ou adultos em situação de dependência; continuam a ser elas a assegurar maioritariamente as tarefas domésticas; continuam a ser elas as principais vítimas de crimes violentos (violência doméstica, violações, etc.).
E, perante tudo isto, não vos surpreenderei se disser que continuam a ser elas as mais vulneráveis à pobreza e à exclusão social, corroborando a afirmação de Luís Capucha proferida ao jornal “O Público”, precisamente no dia 17 de Outubro de 2003, dia internacional para a erradicação da pobreza, onde referia o facto de que, em todos os indicadores de pobreza, as mulheres tendem a ser mais vulneráveis do que os homens. Existe, portanto, uma dimensão na pobreza que está relacionada com as distinções entre os sexos. Falo-vos, desta forma, da feminização da pobreza. A pobreza tem, de facto, um rosto e esse rosto é feminino! Pobreza que assume formas mais visíveis quando falamos de viúvas, divorciadas, famílias monoparentais femininas (que, desde há uns anos para cá, têm assumido uma significativa expressão e não param de aumentar). Mas também formas escondidas, onde no interior do próprio lar, a mulher continua numa posição subalterna relativamente ao homem, principalmente no que respeita à sua posição económica. A posição que ocupa na esfera económica reflecte-se em todos os outros domínios, na medida em que, não estando inserida no mercado de trabalho, depende financeiramente do homem para a sua sobrevivência e, quando inserida no mercado trabalho apenas contribui de forma modesta no pagamento das despesas da casa.
Apesar de ter mostrado aqui alguns dados a nível nacional, poderíamos mesmo falar em termos mundiais. Segundo dados da ONU, a maioria dos 1500 milhões de pessoas que vivem com um dólar por dia ou menos é constituída por mulheres. As mulheres são, de facto, as mais pobres, quer estejamos em Portugal, no Quénia ou em Inglaterra. Esta é uma evidência que assume proporções mundiais e que se tem sentido de forma mais intensa com os efeitos da globalização neoliberal.
Os gritos destas mulheres, volvidos dois séculos e alguns anos, e, apesar de alguns avanços na consolidação dos direitos da mulher, continuam mudos. Mudos não porque não se ouvem, mudos sim para quem os continua a não querer ouvir! É contra a pobreza que atinge este grupo social particular, as mulheres, que nós deveremos continuar a lutar, nós, cidadãs e cidadãos que almejamos um mundo sem discriminações, um mundo justo e solidário. Para que o sofrimento presente se transforme, num futuro bem próximo, em dignidade humana, para que a submissão dê lugar à emancipação, cidadãos e cidadãs deste mundo lutai, lutai!
Patrícia Grilo, Socióloga, Universidade de Coimbra
Diário de Coimbra, 11 de Março de 2004
Wednesday, March 10, 2004
um poema
No passado dia 8 a não te prives organizou no Centro de Estudos Sociais um seminário intitulado "As palavras que (nunca) te diriei - Preconceitos na Linguagem". Foi um encontro animado, bastante participado, e que teve interessantes conclusões, algumas delas em forma de escrita poética, pois terminou com um pequeno exercício de escrita poética, dinamizado por Graça Capinha, Diretora da Revista Oficina de Poesia.
Por mim que tenho uma dificil relação com a escrita poética consegui escrever:
a linguagem, coisa emotiva
celebra a diferença
e ao usar os nomes
e os espaços do insulto
ali. aqui. sim
sentindo diferentemente
as sexualidades que vivemos
O mito da bela adormecida
Madalena Duarte
Socióloga, Universidade de Coimbra
Membro da não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
As histórias de encantar que povoam o nosso imaginário estão repletas de estereótipos em relação ao papel e à identidade da mulher. Nesses contos, as mulheres, sempre belas, realizam todas as tarefas domésticas; embora muitas sejam filhas de reis, não ocupam qualquer lugar de poder; não têm outra ambição que não a de casar e serem mães; e todas esperam por um príncipe encantado que as salve. Apesar de infelizes, cantam enquanto aguardam por dias melhores…
Que diferenças encontramos entre estas histórias e a vida real?
Quando analisamos o emprego e trabalho das mulheres em Portugal, há factos que surgem de imediato: as mulheres dominam e predominam nas universidades; os rendimentos das mulheres trabalhadoras são cada vez maiores; as mulheres ocupam cada vez mais posições de topo; as melhores empresas avaliam-se pelo número de colaboradoras do sexo feminino que têm nos seus quadros, etc. Mas a sociedade portuguesa é, de facto, uma sociedade paradoxal e esta realidade está longe de ser comum. Um olhar mais atento mostra que a taxa de desemprego feminina é sistematicamente superior à dos homens (em 2001, o desemprego atinge 5,1% das mulheres e 3% dos homens); que o salário médio mensal das mulheres é inferior ao dos homens (no período de 1995 a 2001, a assimetria ultrapassava os 27%); que são as mulheres as mais atingidas pela precariedade do vínculo contratual.
Também são as mulheres portuguesas que na Europa menos podem contar com a ajuda dos homens para realizar as tarefas domésticas quotidianas (e não, lavar e cuidar do carro não é uma tarefa decorrente de uma lógica de satisfação das necessidades diárias e básicas dos membros da família).
Apesar do extraordinário aumento da escolarização e inserção das mulheres no mercado de trabalho, tal evolução não tem tido, tal como nos contos de encantar, correspondência ao nível da participação das mulheres na vida pública e política nos lugares de tomada de decisão. Senão vejamos, nunca tivemos um Presidente da República mulher. Nas eleições de 17 de Março de 2002 para a Assembleia da República, foram eleitas 45 deputadas, 19, 6% do total. E não nos esqueçamos que foi suprimida a Comissão parlamentar da paridade, igualdade e família.
E, por fim, é ainda evidente que, para muitos, a identidade da mulher ainda passa pelo casamento e pela maternidade. A grande maioria dos países europeus despenalizou o aborto, garantindo a legalidade e segurança para as mulheres que optam por interromper uma gravidez. No século XXI Portugal é, ainda, uma excepção, obrigando as mulheres que fizeram um aborto a sentar-se no banco dos réus e a serem sujeitas à pena mais grave do nosso ordenamento jurídico: a pena de prisão.
Neste cenário, é urgente que a mulher, bela como nos contos, não ceda ao encantamento e adormeça conformada à espera que um belo príncipe a desperte para uma realidade mais justa, igualitária e não atentatória dos direitos humanos, onde se incluem os direitos das mulheres. Vimos, no debate parlamentar do passado dia 3 de Março, que tal não vai acontecer. Há que continuar a lutar e desconstruir o mito da bela adormecida.
Diário de Coimbra, 10 de Março 2004
Socióloga, Universidade de Coimbra
Membro da não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
As histórias de encantar que povoam o nosso imaginário estão repletas de estereótipos em relação ao papel e à identidade da mulher. Nesses contos, as mulheres, sempre belas, realizam todas as tarefas domésticas; embora muitas sejam filhas de reis, não ocupam qualquer lugar de poder; não têm outra ambição que não a de casar e serem mães; e todas esperam por um príncipe encantado que as salve. Apesar de infelizes, cantam enquanto aguardam por dias melhores…
Que diferenças encontramos entre estas histórias e a vida real?
Quando analisamos o emprego e trabalho das mulheres em Portugal, há factos que surgem de imediato: as mulheres dominam e predominam nas universidades; os rendimentos das mulheres trabalhadoras são cada vez maiores; as mulheres ocupam cada vez mais posições de topo; as melhores empresas avaliam-se pelo número de colaboradoras do sexo feminino que têm nos seus quadros, etc. Mas a sociedade portuguesa é, de facto, uma sociedade paradoxal e esta realidade está longe de ser comum. Um olhar mais atento mostra que a taxa de desemprego feminina é sistematicamente superior à dos homens (em 2001, o desemprego atinge 5,1% das mulheres e 3% dos homens); que o salário médio mensal das mulheres é inferior ao dos homens (no período de 1995 a 2001, a assimetria ultrapassava os 27%); que são as mulheres as mais atingidas pela precariedade do vínculo contratual.
Também são as mulheres portuguesas que na Europa menos podem contar com a ajuda dos homens para realizar as tarefas domésticas quotidianas (e não, lavar e cuidar do carro não é uma tarefa decorrente de uma lógica de satisfação das necessidades diárias e básicas dos membros da família).
Apesar do extraordinário aumento da escolarização e inserção das mulheres no mercado de trabalho, tal evolução não tem tido, tal como nos contos de encantar, correspondência ao nível da participação das mulheres na vida pública e política nos lugares de tomada de decisão. Senão vejamos, nunca tivemos um Presidente da República mulher. Nas eleições de 17 de Março de 2002 para a Assembleia da República, foram eleitas 45 deputadas, 19, 6% do total. E não nos esqueçamos que foi suprimida a Comissão parlamentar da paridade, igualdade e família.
E, por fim, é ainda evidente que, para muitos, a identidade da mulher ainda passa pelo casamento e pela maternidade. A grande maioria dos países europeus despenalizou o aborto, garantindo a legalidade e segurança para as mulheres que optam por interromper uma gravidez. No século XXI Portugal é, ainda, uma excepção, obrigando as mulheres que fizeram um aborto a sentar-se no banco dos réus e a serem sujeitas à pena mais grave do nosso ordenamento jurídico: a pena de prisão.
Neste cenário, é urgente que a mulher, bela como nos contos, não ceda ao encantamento e adormeça conformada à espera que um belo príncipe a desperte para uma realidade mais justa, igualitária e não atentatória dos direitos humanos, onde se incluem os direitos das mulheres. Vimos, no debate parlamentar do passado dia 3 de Março, que tal não vai acontecer. Há que continuar a lutar e desconstruir o mito da bela adormecida.
Diário de Coimbra, 10 de Março 2004
Tuesday, March 09, 2004
Essas outras mulheres
Ana Cristina Santos
Socióloga, Investigadora em Ciências Sociais, Universidade de Coimbra
Vice-Presidente da Associação não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
Ensina-nos a sabedoria popular que “mulher honrada não tem ouvidos”, que “mulher e sardinha, quer-se da pequenina” e que “enquanto houver mulheres não se confessam homens”. Destas e de outras pérolas de senso comum anda a nossa tradição cultural pejada. Por isso, num exercício de pura curiosidade interpessoal, lembrei-me de confrontar as mulheres da minha geração com os estreitos caminhos traçados pelos ditados populares. Tudo para tentar perceber qual o lugar desta sabedoria entre as gerações do pós-25 de Abril. E, sobretudo, para identificar de que outras sabedorias são feitos os 8 de Março do século XXI. Eis algumas das conclusões.
As mulheres da minha geração têm muitos tamanhos e dimensões, umas musculadas, outras franzinas, umas atletas, outras pianistas, umas mães, outras filhas. Têm muitos afectos, plurais, amplos, heterogéneos, fazendo uso de todo o espectro de potencial que a sexualidade humana acolhe. Têm muitas cores de pele, de partido, de cabelo. Têm cada vez mais todas as profissões que a sua diversidade interna lhes permite desejar. Têm ouvidos, pernas, útero e voz, embora estes últimos dois andem ultimamente ameaçados por vontades alheias ao seu corpo e auto-determinação. Na verdade, as mulheres da minha geração ainda têm companheiros que as espancam, patrões que as assediam, autoridades que lhes negam capacidade de decisão e leis que as humilham. Algumas delas, lésbicas, bissexuais ou transgéneros, vêem a sua identidade de género e orientação sexual enxovalhada quotidianamente em nome dos bons e brandos costumes da moral nacional.
Para estas outras mulheres do século XXI os ditados populares que as remetem para lugares estereotipados, amputados e silenciosos fazem parte de uma história tanto mais importante quanto maior for a urgência de a desconstruir e questionar para, no passo seguinte, a substituir por outras histórias mais emancipatórias. Os 8 de Março da geração pós-25 de Abril fazem-se de outros saberes, saberes de resistência, de vontades, de diversidade e de fé num mundo mais justo e inclusivo para todos os seres humanos.
Diário de Coimbra, 8 de Março 2004
Saturday, March 06, 2004
Cheirinho...
Bom estou a viver uma das aventuras mas loucas da minha vida: comecei a escrever um romance!
Não resisto a partilhar convosco um cheirinho daquilo que ando a escrever!!
“Sidónio, fechou o livro, atirou-o para junto da sacola e foi deitar-se junto de David, debruçando-se sobre ele:
- Também eu quero um dia andar pela cidade a divagar, também eu quero ter discípulos e inimigos, quero ser um grande pensador... – e com isto sorri radiante e pousa a cabeça no ombro do outro... suavemente levanta a mão e coloca-a sobre a perna de David e carinhosamente lhe percorre todo o membro ao que o mais pequeno responde com um fechar de olhos saboreando aquele momento. Simplesmente fechou os olhos e se deixou estar enquanto Sidónio lhe beijava graciosamente o ventre... “
Não resisto a partilhar convosco um cheirinho daquilo que ando a escrever!!
“Sidónio, fechou o livro, atirou-o para junto da sacola e foi deitar-se junto de David, debruçando-se sobre ele:
- Também eu quero um dia andar pela cidade a divagar, também eu quero ter discípulos e inimigos, quero ser um grande pensador... – e com isto sorri radiante e pousa a cabeça no ombro do outro... suavemente levanta a mão e coloca-a sobre a perna de David e carinhosamente lhe percorre todo o membro ao que o mais pequeno responde com um fechar de olhos saboreando aquele momento. Simplesmente fechou os olhos e se deixou estar enquanto Sidónio lhe beijava graciosamente o ventre... “
Friday, March 05, 2004
Homenagem...
Vou em breve iniciar um trabalho de Voluntariado, que é o fruto duma vontade muito íntima e solidária.
Não posso deixar de também aqui no Queermondego fazer essa minha grande homenagem a essas “criaturas” de quem somos descendentes e que a nossa sociedade tende cada vez mais a marginalizar e esconder.
É com uma música cantada por Isabel Silvestre (o feminino em pessoa), com letra de Carlos Tê e Rui Veloso que fica aqui todo o meu amor por essas grandes “criaturas” que são os nossos Velhos:
A gente não lê
Ai senhor das Furnas
Que escuro vai dentro de nós,
Rezar o terço ao fim da tarde,
Só p’ra espantar a solidão,
E rogar a Deus que nos guarde,
Confiar-lhe o destino na mão.
Que adianta saber das marés,
Os frutos e as sementeiras,
Tratar por tu os ofícios,
Entender o suão e os animais,
Falar o dialecto da Terra,
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais.
E do resto entender mal,
Soletrar assinar em cruz,
Não ver os vultos furtivos,
Que nos tramam por trás da luz.
Ai Senhor das Furnas,
Que escuro vai dentro de nós,
A gente morre ao nascer,
Com olhos rasos de lezíria,
De boca em boca passando o saber,
Com provérbios que ficam na gíria.
De que nos vale esta pureza,
Sem ler fica-se pederneira,
Agita-se a solidão cá no fundo,
Fica-se sentado à soleira,
A ouvir os ruídos do mundo,
E a entendê-los à nossa maneira.
Carregar a superstição,
De ser pequeno ser ninguém,
Mas não quebrar a tradição,
Que dos nossos avós já vem.
Não posso deixar de também aqui no Queermondego fazer essa minha grande homenagem a essas “criaturas” de quem somos descendentes e que a nossa sociedade tende cada vez mais a marginalizar e esconder.
É com uma música cantada por Isabel Silvestre (o feminino em pessoa), com letra de Carlos Tê e Rui Veloso que fica aqui todo o meu amor por essas grandes “criaturas” que são os nossos Velhos:
A gente não lê
Ai senhor das Furnas
Que escuro vai dentro de nós,
Rezar o terço ao fim da tarde,
Só p’ra espantar a solidão,
E rogar a Deus que nos guarde,
Confiar-lhe o destino na mão.
Que adianta saber das marés,
Os frutos e as sementeiras,
Tratar por tu os ofícios,
Entender o suão e os animais,
Falar o dialecto da Terra,
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais.
E do resto entender mal,
Soletrar assinar em cruz,
Não ver os vultos furtivos,
Que nos tramam por trás da luz.
Ai Senhor das Furnas,
Que escuro vai dentro de nós,
A gente morre ao nascer,
Com olhos rasos de lezíria,
De boca em boca passando o saber,
Com provérbios que ficam na gíria.
De que nos vale esta pureza,
Sem ler fica-se pederneira,
Agita-se a solidão cá no fundo,
Fica-se sentado à soleira,
A ouvir os ruídos do mundo,
E a entendê-los à nossa maneira.
Carregar a superstição,
De ser pequeno ser ninguém,
Mas não quebrar a tradição,
Que dos nossos avós já vem.
Thursday, March 04, 2004
Recomendação...
Bom, há filmes... músicas... poemas... livros... que aparecem na nossa vida em momentos que nos fazem sentir arradoramente adequados.
ANTÍDOTO de José luis Peixoto, foi para mim um desses livros... um desses momentos.
Obrigado José Luis Peixoto!!!!
ANTÍDOTO de José luis Peixoto, foi para mim um desses livros... um desses momentos.
Obrigado José Luis Peixoto!!!!
Wednesday, March 03, 2004
o Bangladesh
não acredito fiz o joguito que o MVA e o Boss fizeram edeu o Bangladesh... a verdade é que gosto do país... da sua belíssima e perrigosa geografia... mas isso são outras coisas
You're Bangladesh!
Everyone else keeps eating your food, and as a result it seems like you're starving all the time. Your life is just flooded with problems, and you're pretty sure that everything would be easier if half the people you knew just went away. Unfortunately, they're hungry too, so they might go away in a way you don't want. George Harrison's music becoming wildly popular may be your only hope, but even he's gone away now.
You're Bangladesh!
Everyone else keeps eating your food, and as a result it seems like you're starving all the time. Your life is just flooded with problems, and you're pretty sure that everything would be easier if half the people you knew just went away. Unfortunately, they're hungry too, so they might go away in a way you don't want. George Harrison's music becoming wildly popular may be your only hope, but even he's gone away now.
Onde estás 25 de Abril?
Hoje este debate que passa no parlamento só vem demonstrar que não há democracia neste país, em que os deputados não têm liberdade de voto.
Parece-me que isto deixa de ser uma democracia para ser uma ditadura e é consequentemente uma atitude fascista.
É completamente inadmissível que isto se passe no século XXI, mas o que é que se pode chamar a estes partidos senão isto.
Onde está a democracia?
Os políticos portugueses tratam os cidadãos e cidadãs portuguesas como paus-mandados. Parece que somos escravos de uma minoria que são ricos e poderosos.
Vejam só quem são os deputados do PSD e do CDS/PP! Quem são estes? São por exemplo donos de enormes áreas rurais pelas quais recebem enormes subsídios estatais do estado português e da União Europeia. Mas onde não cultivam nada, onde não há resultados visíveis. E quando há existem enormes agressões ambientais com a utilização de pesticidas inadequados.
E as grandes indústrias? Quem são os proprietários? São também de alguns destes senhores que não tem escrúpulos nenhuns senão a ânsia de enormes lucros.
Por outro lado vejam só o incompetente do Secretário de Estado do Ambiente. Onde estão os recipientes para os resíduos como por exemplo, as pilhas, o papel, o plástico, o ferro e outros! Onde estão? Estão a cerca de 1 quilometro, senão mais, e são normalmente apenas para papel, vidro e plástico. E dizem que vivo numa cidade a que chamam a “cidade dos doutores”. Pergunto eu se este senhor tem conhecimento da realidade deste país?!
Quem são os nossos deputados? Como aquele exemplo que têm empregados precários, que não entregam as contribuições à administração pública, que despedem os empregados porque não são da mesma cor política!
Em relação ao aborto se fizermos uma investigação apurada vai-se constatar que estas pessoas que frequentam as clínicas privadas caríssimas dentro do país e no estrangeiro são os que se apregoam defensores da moral pública. Mas nós, os pobres, temos que fazer abortos clandestinos e depois vamos parar à prisão.
Portugueses e Portuguesas onde está a nossa consciência, que é feito da nossa ânsia de Liberdade e de Democracia. Tirem-me estes fascistas da Assembleia da República.
É muito mau quando algum partido, ou coligação, tem a maioria e comete barbaridades como a que está a acontecer no parlamento!
Parece-me que isto deixa de ser uma democracia para ser uma ditadura e é consequentemente uma atitude fascista.
É completamente inadmissível que isto se passe no século XXI, mas o que é que se pode chamar a estes partidos senão isto.
Onde está a democracia?
Os políticos portugueses tratam os cidadãos e cidadãs portuguesas como paus-mandados. Parece que somos escravos de uma minoria que são ricos e poderosos.
Vejam só quem são os deputados do PSD e do CDS/PP! Quem são estes? São por exemplo donos de enormes áreas rurais pelas quais recebem enormes subsídios estatais do estado português e da União Europeia. Mas onde não cultivam nada, onde não há resultados visíveis. E quando há existem enormes agressões ambientais com a utilização de pesticidas inadequados.
E as grandes indústrias? Quem são os proprietários? São também de alguns destes senhores que não tem escrúpulos nenhuns senão a ânsia de enormes lucros.
Por outro lado vejam só o incompetente do Secretário de Estado do Ambiente. Onde estão os recipientes para os resíduos como por exemplo, as pilhas, o papel, o plástico, o ferro e outros! Onde estão? Estão a cerca de 1 quilometro, senão mais, e são normalmente apenas para papel, vidro e plástico. E dizem que vivo numa cidade a que chamam a “cidade dos doutores”. Pergunto eu se este senhor tem conhecimento da realidade deste país?!
Quem são os nossos deputados? Como aquele exemplo que têm empregados precários, que não entregam as contribuições à administração pública, que despedem os empregados porque não são da mesma cor política!
Em relação ao aborto se fizermos uma investigação apurada vai-se constatar que estas pessoas que frequentam as clínicas privadas caríssimas dentro do país e no estrangeiro são os que se apregoam defensores da moral pública. Mas nós, os pobres, temos que fazer abortos clandestinos e depois vamos parar à prisão.
Portugueses e Portuguesas onde está a nossa consciência, que é feito da nossa ânsia de Liberdade e de Democracia. Tirem-me estes fascistas da Assembleia da República.
É muito mau quando algum partido, ou coligação, tem a maioria e comete barbaridades como a que está a acontecer no parlamento!
que se vai passar no parlamento?
Hoje é um daqueles dias de muito nervoso e de alguma raiva... a Assembeia da República vai decidir sobre as propostas relativas à discriminalização do aborto que têm vindo a ser debatidas na sociedade... e que têm gerado uma grande alarido.
O jornal universitário de Coiombra, A Cabra publicou na sua edição de ontem um texto que estava já na sua página web, em que exprimia a minha opinião sobre algums das mitos que mais se colocam neste tema.
Aqui vai
Histórias de Vida!
Crime? Pois é, em Portugal, na terrinha dos brandos costumes – a
mitologia salazarenta – as mulheres são presas pelo crime de aborto!
E nós como ficamos… que fazemos? Ficamo-nos a estudar pois a época de
exames está à porta!
Sempre que a temática do aborto é discutida em Portugal este país
enlouquece: a sociedade torna-se dicotómica, entre "defensores do aborto" e
"defensores da vida" num registo discursivo que raia a loucura
fundamentalista.
Mas quem são este dois mundos e que significam eles para as pessoas que
circulam, calmamente, do dia-a-dia da nossa academia.
Ninguém é defensor do aborto!
Será que alguém em sua plena consciência defende o aborto? Não! Ele não
é um método contraceptivo mas a maternidade, tal como a paternidade
deve ser fruto de um desejo real e consciente da mulher. A escritora Lídia
Jorge afirmava em 1998: "Porquê pretender impor o parâmetro do primado
da concepção biológica, sobre a concepção sentimental e volitiva da
vida? Porquê manter a ideia da escravatura do ciclo do corpo? Porquê a
aceitação incondicional e dramática do desencontro do corpo?". Mas a
criminalização do aborto em Portugal, que durante muito tempo não foi
"levada a sério" pela justiça, parece agora na despertada e o processo de
Aveiro, tal como em 2001 o da Maia demonstram que a aplicação da lei
atinge as mulheres mais fracas, mais desprotegidas e com maiores dificuldade
financeiras que não se podem deslocar aos "estabelecimentos de
tratamento de gravidez" de Badajoz ou Salamanca.
Já agora as estatísticas dos países onde o aborto não é crime e é legal
demonstram uma diminuição dos abortos clandestinos tal como dos legais.
E porquê? Porque estas sociedades investiram fortemente na educação
sexual, responsável e aberta, das suas gerações mais novas, e têm sistemas
de planeamento familiar e contracepção adequados e funcionais ao
contrário do nosso "portugalzito". Por mim apetece relembrar que alguns dos
governantes com responsabilidades neste governo defenderam, em 1998, a
necessidade do país investir nestas áreas mas o que vemos é a
proliferação de um discurso conservador da sexualidade humana a invadir as
escolas…
Todos somos defensores da vida!
Ao contrário do que as palavras indiciam os "movimentos pró-vida"
deveriam ser chamados de anti-escolha. Porquê? Primeiro porque são contra a
escolha da maternidade, feita conscientemente, querida e amada pela
mulher… primeira detentora dessa decisão. Segundo porque a defesa,
incondicional e igualitária, da vida é uma questão importantes para todos… e
não de grupos fundamentalistas que se esquecem, num processo de memória
selectiva, da história!
Mas a lei continua a "marcar" as mulheres de criminosas e a "defesa da
vida" ganha à "defesa da dignidade da vida"e à "defesa da igualdade". A
penalista e constitucionalista Teresa Beleza defende claramente que a
actual lei que criminaliza as mulheres por abortarem pode ter laivos de
dúbia constitucionalidade, e se dúvidas existissem o projecto de
revisão constitucional do PP demonstra a necessidade de acautelar um outra
leitura da actual Constituição. Defende Teresa Beleza que se fossem
questões como a dignidade da pessoa humana ou a obrigação estadual de
promover activamente uma maternidade consciente colocadas na mesa, o Estado
ver-se-ia obrigado a terminar com estas leis criminalizadoras. Mas esta
professora da Universidade Nova de Lisboa vai mais longe ao afirmar que
a "incriminação da interrupção da gravidez é contrária frontalmente ao
princípio da igualdade, não só na forma evidente de desequilíbrio entre
ricos e pobres, mas de uma maneira mais ínvia e invisível: entre
as
mulheres que concebem e os homens que participam nessa concepção".
É por isso que defender a vida é cada vez mais defender a dignidade da
mesma, a possibilidade de a vida que vem de um gravidez ser desejadas,
ser querida, ser amada, e fruto da decisão e da escolha consciente da
mulher!
E aqui por Coimbra?
Aqui por Coimbra, e apesar de as histórias de jovens estudantes
universitária que abortaram - algumas em clínicas de vão-de-escada, outras em
viagens por terras espanholas – serem muitas, e de todos conhecidas,
pouco se faz e menos ainda se fala sobre o assunto. Esse silêncio promove
antes de tudo o desconhecimento as falsas histórias e o discurso
desinformadas que tantas vezes caracteriza a população estudantil de Coimbra.
Por mim, não defendo apenas o fim da criminalização do aborto, mas
também a promoção de um verdadeiro serviço de saúde reprodutiva e
planeamento familiar em Portugal, bem como a necessidade da de uma educação
sexual responsável e aberta nos jovens.
O jornal universitário de Coiombra, A Cabra publicou na sua edição de ontem um texto que estava já na sua página web, em que exprimia a minha opinião sobre algums das mitos que mais se colocam neste tema.
Aqui vai
Histórias de Vida!
Crime? Pois é, em Portugal, na terrinha dos brandos costumes – a
mitologia salazarenta – as mulheres são presas pelo crime de aborto!
E nós como ficamos… que fazemos? Ficamo-nos a estudar pois a época de
exames está à porta!
Sempre que a temática do aborto é discutida em Portugal este país
enlouquece: a sociedade torna-se dicotómica, entre "defensores do aborto" e
"defensores da vida" num registo discursivo que raia a loucura
fundamentalista.
Mas quem são este dois mundos e que significam eles para as pessoas que
circulam, calmamente, do dia-a-dia da nossa academia.
Ninguém é defensor do aborto!
Será que alguém em sua plena consciência defende o aborto? Não! Ele não
é um método contraceptivo mas a maternidade, tal como a paternidade
deve ser fruto de um desejo real e consciente da mulher. A escritora Lídia
Jorge afirmava em 1998: "Porquê pretender impor o parâmetro do primado
da concepção biológica, sobre a concepção sentimental e volitiva da
vida? Porquê manter a ideia da escravatura do ciclo do corpo? Porquê a
aceitação incondicional e dramática do desencontro do corpo?". Mas a
criminalização do aborto em Portugal, que durante muito tempo não foi
"levada a sério" pela justiça, parece agora na despertada e o processo de
Aveiro, tal como em 2001 o da Maia demonstram que a aplicação da lei
atinge as mulheres mais fracas, mais desprotegidas e com maiores dificuldade
financeiras que não se podem deslocar aos "estabelecimentos de
tratamento de gravidez" de Badajoz ou Salamanca.
Já agora as estatísticas dos países onde o aborto não é crime e é legal
demonstram uma diminuição dos abortos clandestinos tal como dos legais.
E porquê? Porque estas sociedades investiram fortemente na educação
sexual, responsável e aberta, das suas gerações mais novas, e têm sistemas
de planeamento familiar e contracepção adequados e funcionais ao
contrário do nosso "portugalzito". Por mim apetece relembrar que alguns dos
governantes com responsabilidades neste governo defenderam, em 1998, a
necessidade do país investir nestas áreas mas o que vemos é a
proliferação de um discurso conservador da sexualidade humana a invadir as
escolas…
Todos somos defensores da vida!
Ao contrário do que as palavras indiciam os "movimentos pró-vida"
deveriam ser chamados de anti-escolha. Porquê? Primeiro porque são contra a
escolha da maternidade, feita conscientemente, querida e amada pela
mulher… primeira detentora dessa decisão. Segundo porque a defesa,
incondicional e igualitária, da vida é uma questão importantes para todos… e
não de grupos fundamentalistas que se esquecem, num processo de memória
selectiva, da história!
Mas a lei continua a "marcar" as mulheres de criminosas e a "defesa da
vida" ganha à "defesa da dignidade da vida"e à "defesa da igualdade". A
penalista e constitucionalista Teresa Beleza defende claramente que a
actual lei que criminaliza as mulheres por abortarem pode ter laivos de
dúbia constitucionalidade, e se dúvidas existissem o projecto de
revisão constitucional do PP demonstra a necessidade de acautelar um outra
leitura da actual Constituição. Defende Teresa Beleza que se fossem
questões como a dignidade da pessoa humana ou a obrigação estadual de
promover activamente uma maternidade consciente colocadas na mesa, o Estado
ver-se-ia obrigado a terminar com estas leis criminalizadoras. Mas esta
professora da Universidade Nova de Lisboa vai mais longe ao afirmar que
a "incriminação da interrupção da gravidez é contrária frontalmente ao
princípio da igualdade, não só na forma evidente de desequilíbrio entre
ricos e pobres, mas de uma maneira mais ínvia e invisível: entre
as
mulheres que concebem e os homens que participam nessa concepção".
É por isso que defender a vida é cada vez mais defender a dignidade da
mesma, a possibilidade de a vida que vem de um gravidez ser desejadas,
ser querida, ser amada, e fruto da decisão e da escolha consciente da
mulher!
E aqui por Coimbra?
Aqui por Coimbra, e apesar de as histórias de jovens estudantes
universitária que abortaram - algumas em clínicas de vão-de-escada, outras em
viagens por terras espanholas – serem muitas, e de todos conhecidas,
pouco se faz e menos ainda se fala sobre o assunto. Esse silêncio promove
antes de tudo o desconhecimento as falsas histórias e o discurso
desinformadas que tantas vezes caracteriza a população estudantil de Coimbra.
Por mim, não defendo apenas o fim da criminalização do aborto, mas
também a promoção de um verdadeiro serviço de saúde reprodutiva e
planeamento familiar em Portugal, bem como a necessidade da de uma educação
sexual responsável e aberta nos jovens.
Tuesday, March 02, 2004
Uma carta para os deputados
Ontem enviámos esta carta aos deputados da Assembleia da República que dizem?
Tentamos apenas alertar aqueles que nos representam para um dos mais graves problemas da sociedade portuguesa! Já recebemos algumas respostas simpáticas de alguns deputados... do PS.. até agora!
Ex. ma Sra. Deputada: Ex.mo Senhor Deputado
Enquanto cidadãs e cidadãos deste país, preocupa-nos a forma como a
actual lei do aborto afecta a vida e saúde das mulheres e viola os
artigos 2º, 3º, 8º, 12º e 14º do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Em termos internacionais, nos últimos tempos, Portugal tem aparecido
na comunicação social associado ao atraso civilizacional neste problema
que constitui o aborto clandestino. Mais ainda, tem demonstrado não
honrar compromissos internacionais, nomeadamente as Resoluções da
Conferência do Cairo e a Plataforma de Pequim.
Também o Relatório do Parlamento Europeu sobre Direitos e Saúde
Sexual e Reprodutiva (2001/2128 (INI)) recomenda que, em ordem a
salvaguardar a saúde e os direitos reprodutivos das mulheres, o aborto deva ser
legalizado, seguro e acessível para todas. Nenhum estado membro da União
Europeia criminaliza as mulheres por aborto no que se refere a causas
sociais, excepto a Irlanda, Espanha, Portugal e Polónia.
Exigimos que o Estado Português assuma uma posição política sobre o
aborto e não deixe este problema ser tratado discricionariamente. Mais
ainda, cada deputada/o está no Parlamento em representação das pessoas
que a/o elegeram e não em representação dos seus interesses pessoais e,
nesta ordem de ideias, as sondagens de opinião apontam claramente que
uma esmagadora maioria (ronda os 80%) da população portuguesa considera
que o aborto deve ser despenalizado.
Todos os anos, milhares de mulheres portuguesas se vêem perante a
necessidade de interromper uma gravidez não desejada. As que têm acesso à
informação e recursos económicos deslocam-se ao vizinho Estado
Espanhol, mas um significativo número expõe-se à indignidade do aborto
clandestino, sujeitando-se a consequências graves para a sua saúde e à
eventualidade de enfrentar um julgamento. Perante esta situação que humilha as
mulheres e envergonha o país, e passados quase seis anos sobre o
Referendo que não foi vinculativo, pensamos ser o momento de realizar uma
nova consulta ao povo português.
Assim, apelamos a V.Exa. para que vote no sentido de permitir esta
consulta.
Subscrevem,
Acção Jovem Para a Paz
Clube Safo
não-te-prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta
Tentamos apenas alertar aqueles que nos representam para um dos mais graves problemas da sociedade portuguesa! Já recebemos algumas respostas simpáticas de alguns deputados... do PS.. até agora!
Ex. ma Sra. Deputada: Ex.mo Senhor Deputado
Enquanto cidadãs e cidadãos deste país, preocupa-nos a forma como a
actual lei do aborto afecta a vida e saúde das mulheres e viola os
artigos 2º, 3º, 8º, 12º e 14º do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Em termos internacionais, nos últimos tempos, Portugal tem aparecido
na comunicação social associado ao atraso civilizacional neste problema
que constitui o aborto clandestino. Mais ainda, tem demonstrado não
honrar compromissos internacionais, nomeadamente as Resoluções da
Conferência do Cairo e a Plataforma de Pequim.
Também o Relatório do Parlamento Europeu sobre Direitos e Saúde
Sexual e Reprodutiva (2001/2128 (INI)) recomenda que, em ordem a
salvaguardar a saúde e os direitos reprodutivos das mulheres, o aborto deva ser
legalizado, seguro e acessível para todas. Nenhum estado membro da União
Europeia criminaliza as mulheres por aborto no que se refere a causas
sociais, excepto a Irlanda, Espanha, Portugal e Polónia.
Exigimos que o Estado Português assuma uma posição política sobre o
aborto e não deixe este problema ser tratado discricionariamente. Mais
ainda, cada deputada/o está no Parlamento em representação das pessoas
que a/o elegeram e não em representação dos seus interesses pessoais e,
nesta ordem de ideias, as sondagens de opinião apontam claramente que
uma esmagadora maioria (ronda os 80%) da população portuguesa considera
que o aborto deve ser despenalizado.
Todos os anos, milhares de mulheres portuguesas se vêem perante a
necessidade de interromper uma gravidez não desejada. As que têm acesso à
informação e recursos económicos deslocam-se ao vizinho Estado
Espanhol, mas um significativo número expõe-se à indignidade do aborto
clandestino, sujeitando-se a consequências graves para a sua saúde e à
eventualidade de enfrentar um julgamento. Perante esta situação que humilha as
mulheres e envergonha o país, e passados quase seis anos sobre o
Referendo que não foi vinculativo, pensamos ser o momento de realizar uma
nova consulta ao povo português.
Assim, apelamos a V.Exa. para que vote no sentido de permitir esta
consulta.
Subscrevem,
Acção Jovem Para a Paz
Clube Safo
não-te-prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais
UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta
Discriminação Sexual É Crime
Ana Cristina Santos
Socióloga, Investigadora em Ciências Sociais, Universidade de Coimbra
O país acordou recentemente para mais uma atitude pública e absolutamente clara de discriminação. Luis Villas-Boas, psicólogo, director do Refúgio Aboim Ascensão e presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei de Adopção, assumia ao Público a sua discordância face a uma decisão do Tribunal de Navarra que concedera a custódia de duas menores a um casal de lésbicas. No campo estrito da opinião, é legítimo posicionarmo-nos de acordo com os preceitos que entendemos justos.
É compreensível partilharmos essa opinião com as pessoas com quem bebemos café ou dividimos outros afazeres. É até salutar discutir pontos de vista diversos, quando essa possibilidade surge. O caso reveste-se de outros contornos quando a) quem profere as declarações detém posições de responsabilidade profissional e ética; b) as declarações são prestadas a um órgão de difusão em massa de informação; c) os conteúdos transgridem princípios internacionais de direitos fundamentais reconhecidos.
Não quero deter-me na irracionalidade inerente a cada excerto das afirmações de Villas-Boas. Dispenso o exercício de retórica por se revelar, neste caso, mais uma tarefa vã e inglória de masoquismo intelectual do que uma oportunidade de crescimento humano. Por isso, proponho que nos centremos precisamente na questão, frequentemente enxovalhada, da dignidade do ser humano. Essa dignidade, reconhecida em documentos internacionais da ONU, da UE, do Conselho da Europa ou da Organização Mundial de Saúde, surge particularmente fragilizada de cada vez que o ser humano em causa é, afinal, uma lésbica, um gay, um bissexual ou um transgénero (LGBT). Estas parecem ser as excepções consensualizadas para o preceito constitucional de uma lei igual para todos os cidadãos. Curiosamente, este não é o entendimento das mais elevadas instâncias internacionais que, por diversas ocasiões, já admoestaram o Estado português a retractar-se nas sucessivas discriminações de que são vítimas as pessoas que amam gente do mesmo sexo.
No Conselho da Europa, remonta já a 1981 a recomendação 924 da Assembleia Parlamentar que considerava os direitos LGBT como direitos humanos, pedindo aos Estados-membro que, entre outras coisas, igualizassem as idades de consentimento independentemente da orientação sexual e que garantam direitos de custódia e visita aos pais e mães lesbigays.
Na UE, data de 1994 uma Resolução sobre Igualdade de Direitos para Homossexuais e Lésbicas na Comunidade Europeia (A3-0028/94) apelando à igualdade nas idades de consentimento, ao fim da discriminação legal, ao direito ao casamento ou a uma estrutura análoga e à adopção e direito de paternidade. Mais recentemente, a 4 de Setembro de 2003, o Parlamento Europeu aprovou em sessão plenária uma resolução na qual «Solicita uma vez mais aos Estados-Membros a abolição de qualquer forma de discriminação – legal ou de facto – de que ainda são vítimas os homossexuais, nomeadamente em matéria de direito ao casamento e à adopção de crianças; […] Exorta Portugal, a Irlanda e a Grécia a alterarem rapidamente as respectivas legislações que prevêem uma diferença das idades de consentimento em função da orientação sexual, dado o carácter discriminatório destas disposições» (http://www.europarl.eu.int/home/default_pt.htm).
Em Portugal, hoje, a Constituição ainda está por cumprir, tal como se aguarda, pacientemente, o esperado respeito pelas liberdades e direitos de cidadania sexual. Como justificar um artigo 175º do Código Penal, no qual se defende que o abuso homossexual é mais grave do que o abuso heterossexual? Como entender que quem tem as mesmas obrigações e deveres não tenha os mesmos direitos decorrentes das relações e afectos? Como compactuar com afirmações públicas que remetem para o campo da patologia e da anormalidade uma orientação sexual tão legítima quanto a heterossexual?
No Portugal de hoje, a misoginia, a xenofobia e o racismo são crime. Quem profira declarações consideradas de incitamento ao ódio com base na etnia pode ser processado. E, se essas declarações fossem protagonizadas por qualquer figura com responsabilidades públicas, seguramente haveria uma demissão. Como se processa a hierarquização das violações dos direitos humanos? Como se constrói esta ideia de que a homofobia é mais desculpável do que o racismo? O que é necessário para que Villas-Boas se demita?
Diário de Coimbra, 2 de Março 2004
Socióloga, Investigadora em Ciências Sociais, Universidade de Coimbra
O país acordou recentemente para mais uma atitude pública e absolutamente clara de discriminação. Luis Villas-Boas, psicólogo, director do Refúgio Aboim Ascensão e presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei de Adopção, assumia ao Público a sua discordância face a uma decisão do Tribunal de Navarra que concedera a custódia de duas menores a um casal de lésbicas. No campo estrito da opinião, é legítimo posicionarmo-nos de acordo com os preceitos que entendemos justos.
É compreensível partilharmos essa opinião com as pessoas com quem bebemos café ou dividimos outros afazeres. É até salutar discutir pontos de vista diversos, quando essa possibilidade surge. O caso reveste-se de outros contornos quando a) quem profere as declarações detém posições de responsabilidade profissional e ética; b) as declarações são prestadas a um órgão de difusão em massa de informação; c) os conteúdos transgridem princípios internacionais de direitos fundamentais reconhecidos.
Não quero deter-me na irracionalidade inerente a cada excerto das afirmações de Villas-Boas. Dispenso o exercício de retórica por se revelar, neste caso, mais uma tarefa vã e inglória de masoquismo intelectual do que uma oportunidade de crescimento humano. Por isso, proponho que nos centremos precisamente na questão, frequentemente enxovalhada, da dignidade do ser humano. Essa dignidade, reconhecida em documentos internacionais da ONU, da UE, do Conselho da Europa ou da Organização Mundial de Saúde, surge particularmente fragilizada de cada vez que o ser humano em causa é, afinal, uma lésbica, um gay, um bissexual ou um transgénero (LGBT). Estas parecem ser as excepções consensualizadas para o preceito constitucional de uma lei igual para todos os cidadãos. Curiosamente, este não é o entendimento das mais elevadas instâncias internacionais que, por diversas ocasiões, já admoestaram o Estado português a retractar-se nas sucessivas discriminações de que são vítimas as pessoas que amam gente do mesmo sexo.
No Conselho da Europa, remonta já a 1981 a recomendação 924 da Assembleia Parlamentar que considerava os direitos LGBT como direitos humanos, pedindo aos Estados-membro que, entre outras coisas, igualizassem as idades de consentimento independentemente da orientação sexual e que garantam direitos de custódia e visita aos pais e mães lesbigays.
Na UE, data de 1994 uma Resolução sobre Igualdade de Direitos para Homossexuais e Lésbicas na Comunidade Europeia (A3-0028/94) apelando à igualdade nas idades de consentimento, ao fim da discriminação legal, ao direito ao casamento ou a uma estrutura análoga e à adopção e direito de paternidade. Mais recentemente, a 4 de Setembro de 2003, o Parlamento Europeu aprovou em sessão plenária uma resolução na qual «Solicita uma vez mais aos Estados-Membros a abolição de qualquer forma de discriminação – legal ou de facto – de que ainda são vítimas os homossexuais, nomeadamente em matéria de direito ao casamento e à adopção de crianças; […] Exorta Portugal, a Irlanda e a Grécia a alterarem rapidamente as respectivas legislações que prevêem uma diferença das idades de consentimento em função da orientação sexual, dado o carácter discriminatório destas disposições» (http://www.europarl.eu.int/home/default_pt.htm).
Em Portugal, hoje, a Constituição ainda está por cumprir, tal como se aguarda, pacientemente, o esperado respeito pelas liberdades e direitos de cidadania sexual. Como justificar um artigo 175º do Código Penal, no qual se defende que o abuso homossexual é mais grave do que o abuso heterossexual? Como entender que quem tem as mesmas obrigações e deveres não tenha os mesmos direitos decorrentes das relações e afectos? Como compactuar com afirmações públicas que remetem para o campo da patologia e da anormalidade uma orientação sexual tão legítima quanto a heterossexual?
No Portugal de hoje, a misoginia, a xenofobia e o racismo são crime. Quem profira declarações consideradas de incitamento ao ódio com base na etnia pode ser processado. E, se essas declarações fossem protagonizadas por qualquer figura com responsabilidades públicas, seguramente haveria uma demissão. Como se processa a hierarquização das violações dos direitos humanos? Como se constrói esta ideia de que a homofobia é mais desculpável do que o racismo? O que é necessário para que Villas-Boas se demita?
Diário de Coimbra, 2 de Março 2004
