queermondego: 02/01/2004 - 03/01/2004

Monday, February 23, 2004

 

Depois de uma Grande Reportagem sobre os caminhos do humor em Portugal ontem estive a ver com atenção o Herman Sic. Sempre assumi publicamente que sou um fã de Herman José apesar das discordâncias que tenho com as suas opiniões dele relativamente a visibilidade homossexual e do papel do movimento LGBT.
O programa de ontem em plena época de carnaval, teve palhaçadas... de Sesimbra, seios de silicone fujão, Queima das Fitas e dinheiro para a defesa, além das criaturas cilíndricas castanhas que flutuam no Tejo, e dois patetas a caminhar sobre carvão.
Mas foi com alguns dos mitos do divanismo em Português que o programa ficou marcado. Inicialmente a Carmen Miranda a rainha das divas gay no Brasil esteve presente obrigado Vítor de Sousa, ou a voz presença forte de Alcione...
Seguiu-se então Anita Guerreiro, Fernanda Baptista e Maria José Valério – quem era aquele tipo que lá estava? – e ficou esse cheiro dessa Lisboa dos anos 50 e 60...essa Lisboa do Parque Mayer cuja história “gay” está ainda por contar. Sobre este assunto, como me contava há alguns dias um senior homossexual com mais de 70 anos, na Lisboa do início dos anos 60 as histórias da (in)visibilidade homossexual e das suas ligações com o mundo do teatro são mais do que muitas...
Um pormenor divertido no momento dedicado aos 50 anos de carreira de Anita Guerreiro foi o sketch de Joaquim Monchique como travesti político numa piada divertidíssimo em torno da nossa Valéria...
Mas o “momento gay” do Herman Sic desta semana foi mesmo a presença das Azucar Moreno, logo no início do programa, que na conversa inicial Herman soube trazer temas dedicadas à vidinha gay pimba espanhola como a referência a MariSol e à imperdível ... la vida es una tombola... si es la verdad!
E depois lá foram as duas manas sevilhanas cantar e...
Sobrevire...I will survive…
ok Herman obrigado - é verdade que não era maravilhosa versão de Célia Cruz – mas sempre aquela música!

Entretanto, no final, enquanto o peito do frango fritava com as tangerinas... a Pilita no seu maravilhoso vestido rosa... e os pepinos, os tamanhos e as suas qualidades...

 

O editor de economia do Expresso, Jorge Fiel, publicou na edição do sábado passado uma crónica intitulada “O outro Portugal” que resolveu dedicar ao processo de descentralização levado a cabo por este governo. Este processo criou novas estruturas de administração do território chamadas de Grandes Áreas Metropolitanas e Comunidades Urbanas.

Pretendeu o jornalista fazer uma crítica a partir de exemplos do Portugal tentando demonstrar o desconhecimento alfacinha do território nacional entre outras grandes ideias da grande política
Resolve o senhor na sua argumentária utilizar exemplos de um Portugal desconhecido mas que demonstra também ele desconhecer!

Um dos exemplos é de um restaurante em Vale de Grou, freguesia de Aguada de Baixo, concelho de Águeda... o Vidal. Comparar o leitão assado desse restaurante com aqueles que identifica como sendo da Bairrada...
Mas o que este senhor não sabe é que o território que se identifica como Bairrada, está delimitado como região vitivinícola e que engloba os municípios de Anadia, Mealhada e Oliveira do Bairro, e ainda algumas freguesias dos municípios de Cantanhede, Coimbra Aveiro, Vagos e Águeda. Entre estas freguesias do concelho de Águeda encontra-se Aguada de Baixo... o que significa que se este senhor soubesse realmente o que é Bairrada, quais os seus limites e, já agora, conhecesse a região não faria essa distinção disparatada entre os leitões de Águeda, de Anadia ou da Mealhada, questão que tem servido de arma de arremesso entre políticos locais... o leitão do Vidal é leitão da Bairrada

Mas o referido texto de opinião de Jorge Fiel tem ainda outro erro de palmatória, desta sobre a geografia administrativa espanhola. Refere o texto que “o presidente social-democrata de Miranda do Douro fez saber que gostaria que o seu município aderisse às comunidades de Zamora ou de Castilla y Leon”. Ora bem... aqui esta um outro erro de geografia... neste caso de nuestros hermanos. Isto porque o digno jornalista confundiu o conceito com o de comunidade autónoma, com o de província… mais ou menos assim várias províncias fazem uma comunidade autónoma… logo a comunidade autónoma que faz fronteira… é Castilla y Leon, mas a província que tem fronteira com Miranda do Douro é Zamora ( um exemplo a fronteira de Vilar Formoso tem como vizinha a província de Salamanca, mas a mesma comunidade Castilla y Leon).
Fica aqui a lição de geografia que o eminente jornalista parece precisar!


 

Há quase um ano não ‘screvo.
Pesada a meditação
Torna-me alguém que não devo
Interromper na atenção.

Tenho saudades de mim
De quando, de alma alheada,
Eu era não ser assim,
E os versos vinham de nada.

Pessoa

 

Na última página do Expresso desta semana é publicada uma pequena notícia sobre uma nova petição relativamente ao aborto que circula no país... esta petição que pretende estar e contra a discriminalização do aborto que se irá discutir no parlamento no próximo dia 3 de Março.
Esta petição dinamizada pelos movimentos anti-escolha circula no país via paróquias... aqui na Mealhada, onde vivo, não só se recolhem as assinaturas nas missas, como até nas mercearias de bairro... já o tentaram fazer com a mãezinha.. o que provocou uma grande discussão e a certeza de que ela a minha mãe - não volta aquele estabelecimento comercial!

Há várias ironias neste processo pois segundo a notícia do Expresso está entre os subscritores desta petição o bispo do Porto, D.Armindo. O semanário noticia esta mudança de opinião do prelado portuense cuja consequência mais clara é mesmo o descrebilizar da sua opinião – que aparentemente mudou em dois meses... por mim não me espanta em alguns dos membros da igreja católica este tipo de mudanças de opinião que vão sendo mais ou menos habituais...

Um outro pormenor digno de análise são as figuras públicas que subscreveram este petição anti-escolha: Valentim Loureiro, Simão Sabrosa, Pimenta Machado, Fernando Santos... Só figuras do futebol! Que bela coincidência ou realmente um estranho jogo entre a bola e os discursos anti-escolha. Será que existe aqui uma jogada desconhecida entre os negócios dos estádios e a igreja católica? Só com um grande sarcasmo poderemos pensar em algo assim... Fátima e Futebol de novo lado a lado!
Bem a verdade é que também algumas das figuras do futebol assinaram “a petição para um novo referendo” como seja o caso de Xanu, jogador da briosa Académica. Obrigado a ele e aos 7500 que a assinaram na cidade de Coimbra!

Thursday, February 19, 2004

 

Fechar para balnaço não é bem o termo que deva usar para o que se passou entretanto, mas que a festa Queer Party teve bastante para digerir, teve...
O que é realmente certo, é que a festa foi um verdadeiro sucesso e ainda ninguém sabe muito bem como. Esta foi a primeira iniciativa do género organizada em coimbra pela "não te prives" - grupo de Defesa de Diretos Sexuais - e por um colectivo de intervenção cultural, PMP - Por Mão Prõpria. A festa teve uma temática LGBT, se é que se recordam do significado da expressão Queer.
Em iniciativas deste género como o que seria de esperar a afluência não seria muita por parte da sociedade homossexual coimbricense. Será por esta ser a primeira festa e que a divulgação ou publicidade não terá sido suficiente?!? Muito sinceramente não me parece, houve cartazes espalhados pela cidade, em cafés por exemplo. Foram espalhados flyers pela cidade, também em cafés, em lojas de roupa…talvéz nos sítios mais frequentados da cidade.
No entanto sair do armário é cada vez mais difícil, ou porque um colega meu de faculdade me pode ver não sei onde, não sei bem com quem, fazendo aquilo que normalmente se faz numa festa beber um copo com um colega, ou amigo, ou mesmo namorado (SIM... porque a maior parte dos homossexuais, não me referindo desta vez ápenas a sociedade conimbricense, apresenta sempre os seus namorados aos amigos como um grande amigo, como medo dos preconceitos!), sendo eu um estudante universitário. Ou porque um amigo meu me pode ver na mesma situação… Ou mesmo porque recorrendo a outros espaços homossexuais, como em Leiria, Lisboa ou mesmo Porto é bem mais fácil, porque não corro nenhum destes riscos!
Iniciativas deste género visam tentar juntar no mesmo espaço cor, alegria, boa música e ao mesmo tempo a sociedade homossexual e os seus amigos “simpatizantes”.
Não foi conseguida esta meta. Já dizia Einstein, "É mais fácil quebrar um átomo que um preconceito" O que fazer? Desistir?
Não... vamos continuar. O caminho vai ser longo e tortuoso, mas no final o preconceito homobófico intrinseco da população homossexual vai ser quebrado e vamos ter ao mesmo tempo uma sociedade mais acolhedora e com muito menos preconceito!
No entanto a afluência heterossexual ou simpatizante LGBT esteve no seu expoente máximo e muitas pessoas que nunca tinham assistido a um show transformista, simplesmente acharam fabuloso a interpretação, de quem se veste de mulher por profissão, durante as actuações!Sim e digo "quem se veste de por profissão", porque a visão que existe neste momento na sociedade portuguesa e mesmo na mundial é que para se ser travesti é preciso ser-se gay, o que não é de todo verdade... embora os travestis que actuaram na nossa Queer Party o fossem!
Entraram quase 400 pessoas nesta festa, foi algo surpreendente e que nos deixou radiantes... gostaram da música, da "decoração", do ambiente, de tudo pensamos nós e acredito que estarão a espera da nossa próxima produção ou mesmo mega produção.
Quem perdeu a oportunidade desta vez, só vai ter que esperar mais um pouco até se deliciar com algo bem tribal desta vez... Fico, ou melhor, falando em nome do grupo que se empenha para que as coisas aconteçam e sejam do agrado da maioria... a vossa espera:) Até à próxima!

Wednesday, February 18, 2004

 

Bom, está na altura de no nosso blog se tratar desta questão que finalmente Portugal teve coragem de voltar a falar: o Aborto.
Esta questão é algo que mexe muito com as pessoas, é algo que as estremece e até mesmo os mais indiferentes se preocupam com isto, o que é bom.
A mim, e nesta altura da minha vida a questão do aborto toca-me especialmente por um motivo muito pessoal é que a minha irmã está grávida! Sem dúvida que não consigo deixar de ver o aborto como um acto demasiado violento para a minha sensibilidade. Mas com isso a opinião é unânime, o aborto é um acto violento. Um acto que só por si é violento, feito em condições de clandestinidade é exponencialmente violento para uma mulher que não é acompanhada nem medicamente nem psicologicamente, e que o mais provável é que fiquem marcas irreparáveis tendo em conta que não só aos olhos desta nossa sociedade hipócrita e estupidamente conservadora, mas pior que isso, aos olhos da lei, é uma criminosa.
Como disse, a minha irmã está grávida, e a gravidez por si só é algo de belo e único!
Mas o que quero dizer é que a minha irmã esperou juntamente com o marido pela altura certa. Juntos, esperaram pelo momento certo, até que os dois se sentissem preparados para essa grande responsabilidade. Esperaram até que as suas vidas profissionais e situação económica lhes permitisse dar o passo tão desejado.
Mais do que isso o João Miguel (é esse o seu nome) tem uns pais que se amam, tem uns avós que têm uma capacidade infinita de amar e desejam ardentemente o “estatuto” de avós, tem um tio que entre muitas outras coisas é homossexual e vai para além de amá-lo, incutir-lhe valores e princípios pelos quais se bate.... O João Miguel tem duas bisavós que lhe vão deixar o testemunho duma vida longa mas sempre vivida com toda a dignidade, tem tios-avôs e primos em segundo grau que querem com toda a certeza paparicá-lo e mimá-lo...
O João Miguel já é motivo de felicidade para todos. E toda esta vasta família unida considera o João Miguel um membro muito querido. Mesmo na sua vida intra-uterina o João Miguel já é um membro desta família, não é um embrião ou um feto, o João Miguel é simplesmente o João Miguel.

Com esta pequena história quero dizer que o João Miguel, já é um ser humano. É um ser humano, não porque, tem conjunto de células que se desenvolvem, não porque tem um sistema nervoso central desenvolvido, ou muito menos porque é o resultado da fecundação do ovulo pelo espermatozóide! O João Miguel é um ser humano, por tudo o que disse, porque é desejado e porque já está inserido num contexto, numa família e porque tem as condições possíveis para que possa crescer com tudo a que um ser humano tem direito. Crescer e desenvolver-se sempre com o amor, primeiro dos pais e de toda a família que das muitas e variadas formas o vai influenciar, depois irá para escola e terá os seus amigos e professores e por aí fora...

Quero com tudo isto mostrar aos grandes defensores da Vida Humana, que se esquecem dum pequeno pormenor: que vida Humana não é um conjunto de células. Esquecem-se que um ser humano não é só um corpo que nasce cresce e morre, desenvolvendo ao longo da vida processos metabólicos e que se mantêm devido à realização de necessidades biológicas. Do meu ponto de vista isso é uma visão muito redutora de vida Humana. Um ser humano é muito mais do que isso, é um ser que sonha, um ser que interage com outros seres e se vai moldando ao longo da vida. Um ser humano é uma personalidade, digamos assim é uma identidade própria que só existe realmente quando nasce e começa a crescer.

Não me venham defender a vida humana só porque um óvulo se fundiu com um espermatozóide e que só por isso tem o direito de nascer! Tem o direito de nascer se os seus progenitores o desejarem e principalmente se a mulher se sentir Mãe.

Deixem de ser hipócritas!






 

Já agora será tempo de dar a conhecer um pouco do aniversário da não te prives e por isso aqui fica a minha intervenção no início do colóquio “Em Busca dos Sentidos”…

“É num modesto quarto desta misteriosa cidade que te escrevo esta carta. É neste modesto quarto que sinto a minha vida esvair-se como o fumo daqueles cigarros que partilhávamos. É aqui que talvez pela última vez te escrevo e celebro assim o amor que nos une para além da eternidade... para além da singela e ridícula existência humana."

Este excerto é uma carta escrita por um dos membros da não te prives…. É uma carta que fala de amor… do amor que a contemporaneidade afirma ser festejado no dia de hoje…

Há dois anos “um grupo heterogéneo composto por mulheres e homens muito diferentes entre si” juntou-se para dar a conhecer à cidade um projecto chamado não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais.
Hoje comemoramos aqui esse momento, esse processo, mas acima de tudo dois anos de trabalho e intervenção social que, esperemos, tenham contribuído para mudar a face das vivências sociais da sexualidade e do género na cidade de Coimbra.

Em 2002 afirmávamos que nos unia uma mesma vontade: combater a discriminação baseada na sexualidade e no género. Dizíamos que éramos uma associação de defesa dos direitos humanos como um todo e, como tal, uma associação aberta à colaboração e intervenção em outras áreas em parceria com associações que tivessem como área de actuação o combate aos mais diversos tipos de discriminação, nomeadamente o racismo, a xenofobia, a luta contra a pobreza, a exclusão económica e o combate à transmissão do HIV, entre outras”.

Foi a partir desta afirmação que colaborámos com inúmeras organizações da cidade de Coimbra onde destacamos a Acção Jovem para a Paz e a Pro Urbe mas também a Associação Académica de Coimbra e a Associação Humana Global. Relembramos ainda o papel inovador que tem o Conselho da Cidade de Coimbra e intervenção que poderemos realizar nesta instituição na promoção de uma outra cidade. Não podemos esquecer ainda instituições da cidade, em particular o Centro de Estudos Sociais, cujo apoio à não te prives tem sido extremamente enriquecedor, sobretudo pelas desejáveis ligações entre ciência e activismo. Mas também realizámos actividades e projectos com outras organizações, designadamente dos movimentos feminista e LGBT, integrando redes nacionais e internacionais.


Queríamos – e queremos – uma sociedade mais justa, livre, igualitária e solidária em que o género, a orientação sexual ou os comportamentos sexuais não sejam a justificação de tantos sentimentos discriminatórios existentes na sociedade portuguesa, sejam eles o sexismo, a homofobia ou outras formas de exclusão, até porque acreditamos que os direitos ao corpo, à sexualidade, à igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, independentemente da sua orientação sexual, são direitos humanos...

Esse sonho, essa vontade de mudar, esse desejo continua hoje a dar razão de ser ao nosso trabalho…

Trabalho este feito nas asas do anjo que temos como símbolo, e que representa o sonho de uma sociedade em que mulheres e homens não sejam silenciados, condicionados ou discriminados em função da sua sexualidade, orientação sexual ou identidade de género.

Ao longo dos dias e das noites de esforço e dedicação estivemos sempre presentes com vontade de alertar consciências e os decisores para as questões do sexo e da sexualidade.
Fizemo-lo nas conversas de café, nos debates, nos jornais, nos grandes eventos, nas manifestações, nas festas… fizemo-lo no Brasil, Porto Alegre, em Florença, em Paris, em Lisboa, no Porto, e em todas as ruas da cidade de Coimbra… Fizemo-lo com a vontade de afirmar que um outro mundo é realmente possível…

Sendo uma associação juvenil sedeada em Coimbra, a nossa acção está necessariamente direccionada para as jovens e os jovens, promovendo consciências e práticas junto destes visando comportamentos responsáveis nas áreas dos afectos, da prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis e da auto-determinação sexual. Esse trabalho de base junto da juventude é uma das razões de ser da não te prives e continuaremos a fazê-lo.

Por outro lado, reforçaremos a nossa opção por consolidar o trabalho iniciado junto de instituições, promovendo a discussão sobre políticas públicas para a igualdade e contra a discriminação, até porque acreditamos que todos e todas nós, pessoas e instituições, temos obrigações na luta contra todas as formas de discriminação e na promoção da igualdade entre todos e todas, ou seja… na procura de felicidade.

Essa procura essa felicidade que é feita de pessoas… de muitas pessoas…

Talvez valha a pena lembrar no nosso segundo aniversário as pessoas….

Talvez valha a pena lembrar… as muitas centenas de pessoas, na sua maioria jovens, que participaram em actividades da não te prives ao longo destes dois anos…

Talvez valha a pena lembrar… os sócio da não te prives incansáveis no seu trabalho e envolvimento que vos prepararam este aniversário… e referindo-me apenas a dois nomes gostava de agradecer o esforço que a Magda e o Tó fizeram para as actividades deste dia…

Talvez valha a pena lembrar… as pessoas que nos estão próximos, os amigos, as famílias @s namorad@s... E por isso um beijo para ti… Mário

Talvez valha a pena lembrar… os que chegam e os que partem…
Dos que chegaram mando um beijo para a Beatriz Vieira e para o Xavier Ferreira dois pequenotes mais novitos do que a não te prives, e para os quais estamos contribuir para um mundo melhor sem homofobia e sexismo…
Dos que partiram … e perdoem-me o sentir, mas hoje não o poderia deixar de fazer gostaria de dedicar este seminário a uma pessoa que apenas vi um vez de relance, mas que acredito – talvez sem o saber – tenha sido muito importante para a não te prives…. Dedico assim este nosso dia de trbalho e discussão a Alice Caiano Santos



Monday, February 16, 2004

 

Li hoje no jornal uma entrevista que me pôs a pensar sobre muitas coisas e são alguns desses pensamentos que vou partilhar convosco. Trata-se da questão do véu. Véu é uma palavra muito poética do meu ponto de vista, mas trata-se dum véu muito concreto: o véu das mulheres muçulmanas. Como vêm é um véu muito delicado mas que mesmo assim arrisco em comentar.
O véu muçulmano foi proibido nas escolas francesas o que gerou grande polémica e segundo a entrevistada o véu deve efectivamente ser proibido porque é fortemente discriminatório. O véu é considerado para muitos símbolo de discriminação das mulheres. Eu não acho que assim seja. Acho que o véu é um símbolo (chamemo-lhe assim) cultural. Proibir as mulheres muçulmanas de usar o véu é a mesma coisa que impedir as ciganas de usar as suas belas saias, que no meu entender são formas muito nítidas de diversidade cultural que defendo ferozmente. Quero no entanto sublinhar que não sou defensor da realidade das mulheres muçulmanas que considero serem fortemente discriminadas nos países de origem, mas o que quero dizer é que o véu acima de tudo é cultural. Como disse é uma questão muito delicada, porque o véu na maioria desses países é efectivamente um símbolo de discriminação e portanto um atentado aos direitos humanos. Mas quando as mulheres saem dos seus países de origem e continuam a usar os véus, não me parece que assim seja, nos países acolhedores não é obrigatório o uso do véu, no entanto elas insistem em usá-lo o que traduz a tal questão cultural. O pior disto é que os países acolhedores também atentam contra os direitos porque na verdade fazem justamente o contrário ou seja proíbem o uso do véu. No fundo a forma mais fácil que vos consigo transmitir é a seguinte: se fosse mulher muçulmana usaria o véu com muito orgulho, mas a minha a luta seria pelo facto de que ele não me fosse imposto nem proibido.
Nós ocidentais temos a mania (porque é mesmo uma mania) de que sabemos tudo! De que estamos certos em tudo! E nesta questão do véu isso é extremamente claro. Essa mania faz-nos meter o nariz em tudo duma forma estupidamente paternalista desrespeitando toda e qualquer cultura que não seja a decadente cultura ocidental, esquecendo que não há muito tempo fomos nós os grandes criminosos e verdade seja dita, continuo achar que somos, enquanto os Estados Unidos forem a grande potência mundial.
Nós, povo ocidental e que muitos chegam ao ponto de considerar civilizado, considerando portanto os outros povos incivilizados estamos a ser responsáveis não pela globalização, mas sim pela ocidentalização. Globalização para mim é um sonho. Entendo por Globalização uma harmoniosa interacção onde os povos convergem para uma única cultura mas que é resultado do melhor de todas elas. Portanto não me venham cá dizer que o mundo está globalizado, porque não, o mundo está é ocidentalizado e terrivelmente ocidentalizado!
Um véu proibido na escola, significa a ausência duma cultura que do meu ponto de vista ia apenas contribuir para o enriquecimento de todos, começando por mostrar aos mais
pequenos que existem pessoas diferentes, que existem culturas diferentes e também religiões e também orientações sexuais. Porque se em crianças, andamos numa escola em que todos somos iguais o mais certo é que em adultos estejamos mesmo convencidos que somos todos iguais e a diferença... assusta-nos!
Tudo isto tendo em conta que considero o véu um símbolo, sim. Mas um símbolo cultural e nada mais que isso e deve ser dada a todas a mulheres a liberdade de opção. Um símbolo que marca a diferença, sim. Mas que marca a diferença cultural. E não vejo na diferença cultural mais do que algo que deve ser preservado, pois é sem dúvida uma das coisas que torna este mundo belo e rico!

Thursday, February 12, 2004

 

Bom, é no meio do frenesim dos preparativos para o dia 14 de fevereiro que faço o meu pequeno apelo a todos e todas, pelo menos aos da região que participem nas actividades comemorativas do aniversário da NÃO TE PRIVES – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais.

Ao que me consta o principal impedimento à vossa comparência é pelo facto de ser o dia dos namorados (reparem como escrevi dia dos namorados). Sinceramente! Dá vontade de rir, desculpem-me as gargalhadas! Dia dos namorados?!!! Eu explico: se fosse Dia do Amor... Dia dos Amantes ou até mesmo dia dos Enamorados... eu ainda concordava mas dia dos namorados?!!! E vocês recusam um colóquio que tem por tema EM BUSCA DOS SENTIDOS, para comemorar o dia dos namorados?!!! (Não consigo parar de rir)
Meus caros e caras, dia dos namorados é um dia para os adolescentes comemorarem, sejam eles homo ou heterossexuais! Os outros, os mais crescidos, se sentem que a relação que têm é um namoro... (desculpem mas as gargalhadas são incontroláveis).
Aos heterossexuais mais uma vez até entendo, mas agora a nossa comunidade LGBT a querer adoptar modos de vida, hábitos e conceitos dum profundo contexto heterossexual que nos exclui e oprime? Não sejam assim... por favor!
Se mesmo assim não concordam... ao menos sejam originais e celebrem o vosso dia com um certo simbolismo. Celebrem-no afirmando a vossa diferença, com a participação num evento que do meu ponto de vista é a forma mais acertada de mostrar aos outros não somos uma “cambada que se veste de mulher” e estremece a cidade de Lisboa todos os anos no verão. Somos também muitas outras coisas. E EM BUSCA DOS SENTIDOS parece-me ser uma excelente oportunidade para que Coimbra abra as janelas e deixe de tresandar a mofo. Os de fora, bem que podiam contribuir...
Vão... ostentem os vossos namoradinhos deliciem-se com o tema... celebrem o dia dos namorados de forma a contribuir para que este mundo e esta cidade seja mais diversa, mais colorida, e acima de tudo mais verdadeira.
Aos amantes, ou enamorados não preciso de dizer nada porque sei que vão, senão desiludem-me!
Restam os encalhados e encalhadas, que não têm a desculpa mágica, mas se vos serve de consolo eu estarei lá... e quem sabe, não é!!! O que disse atrás serve para vocês, não precisam de “namorados” levem alguém que vos seja especial, por exemplo o pai, a mãe... seria muito giro.
Eu vou, e pronto. E vou EM BUSCA DOS SENTIDOS!

 

Momentos estes,
Em que a chama reacende
Em que os mistérios se revelam.
Em que chega a quietude
E simplesmente...
Se aguarda.

Momentos estes
Em que te vejo e te encontro
E simplesmente...
Te amo.

 

a equipa deste blog está louca de tanto trabalho na preparação do aniversário da associação de que fazemos parte... não te prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais...
"tá" dificil pois são montes de coisas para preparar... e o tempo e as mãos são sempre poucas!
ainda assim parece que vale a pena não fosse a alegria uma das nossas marcas de identidade...
essa identidade que nos levou a realizar um colóquio com troca de experiências e saberes de alguns dos mais interessantes académicos e activistas portugueses!

mas também há coisas menos boas... talvez mais hilariante seja a das ausências... é que a coisa apesar de gira não é em Lisboa... que chatice acordar cedo para viajar para Coimbra...nah! e outra coisa: no dia dos namorados afinal é mais importante namorar... nesse dia... parece mentira mas esta desculpa mostra acima de tudo o modo como o pessoal guarda as hormonas todas para o 14 de Fevereiro...

ok, mas por cá a vontade de que a coisa corra bem existe! e mantemos a esperança... de que passem por lá...

Wednesday, February 11, 2004

 

Acumular
O sono o sopro e o silencio
A seco brando trocar de mãos
A dependência tola e a próxima aventura

A voz que aclama a despedida do corpo, a última vez
Anunciando

E assim neste espaço roçando a parede
Ignorando a fundura do espaço
Aprofundando a pele ao osso
No trespasse

E assim neste imaginado espaço de derrota e desafio
Acenando a posse e a usura
Contra a parede manchada de sémen
Encenando a misericórdia e a vingança
No engasgo

Neste espaço rasgado a pedido do tempo perdido
Ignorando as leis e a cobardia
Contra esta cara e o corpo ignorado
Atrevendo a delícia e a dor
No orgasmo.

(infotraffic)


 

Não sei se é relevante...Mas a tua personagem decide abdicar da vida porquê?Lembram-se do Voar?Esse texto foi escrito à algum tempo atrás. Não o publiquei completo no blog, achei melhor não, mas resumidamente...
O Voar é a história de uma rapariga e de dois seus grandes amigos, os seus melhores amigos. João, o melhor amigo de Rosa (a personagem pricipal) morre no início da história. Morre, porque decide concretizar o seu maior e mais arriscado sonho. João decide atirrar-se do último andar de um prédio!Mas Rosa não fica chateada com ele, pois apercebe-se que durante a "queda" João acreditava "naquilo" que tava a fazer. João era como que um enviado de Deus a Terra e Rosa apercebeu-se que tinha de "continuar" a missão dele, mostrar a todas as pessoas o porquê de aqui estarem , o porquê de sorrir na rua sempre que uma mãe leva um bebé ao colo, o porquê de meter conversa com uma "velhinha" quando se cruza connosco na rua...Elas sentem-se tão importantes nessa altura!Tudo corria bem até que Guida a deixou também depois de um ano e meio do seu desaparecimento. Aí Rosa não aguentou, não percebeu e revoltou-se! Guida foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, numa praia... Rosa não percebia o porquê de tanta "estupidez", deixou de sorrir, deixou de ter forças para viver e achou mesmo que aqueles dois tinham sido tão injustos para ela que decidiu fazer do eu próprio corpo um diário, um diário que devia ser "escrito" sempre que se lembrasse ou recordasse deles...Rosa começou a mutilar-se!Fazia mais um corte no braço com uma lâmina, cortava mais um pouco de cabelo...sempre que se lembrava "daqueles" traidores!?!Até que quando se apercebeu que nada mais valia a pena, decidiu fazer o mesmo que Guida, mas nem para isso teve força suficiente...Noite após noite ia à mesma praia, mas não conseguia, algo ou alguém a impedia. Até que uma vez, depois de tantas noites passadas naquela praia, onde a noite não lhe paracia tão má, apareceram dois grandes e lindos passarocos...voavam sobre ela, caminhavam pela areia e voltavam para perto dela, até que pousaram nos seus ombros, daí a nada começaram a caminha na areia olhando para tráz. Guida interpretou isso como que os passaros quisessem que ela os seguisse e assim fez!Passados algum tempo alí estava ela em frente a uma casa semi-abandonada. Bateu a porta e surgiu uma senhora com uma criança na mão e uma carta amarelecida pelo tempo. Era uma carta da Guida, conseguia identificar a letra perfeitamente. A carta explicava-lhe o porque de tudo ter acontecido assim, Guida tinhasse exilado quando engravidou, não teve forças para enfrentar família, sociedade e todas as explicações que teria de dar por algo tão simples: Vou ser mãe!Mas o estar longe de tudo e de todos também não ajudou e a pressão foi tanta que se suicidou!Ao ler a carta Rosa percebeu que apartir daquele momento era a mãe daquele pequeno rebento. Pegou na criança e saíu dalí, no entanto achou que não seria capaz, por tudo... pelo seu "diário", por o desacreditar na vida, por tudo mesmo! No entanto já não era capaz de voltar aquela casa, tinhasse esquecido do caminho, mas decidiu ir até a praia e esperar que aparecessem os pássaros, mas nada. Então decidiu deixar alí a criança e enquanto se afastava, começou a sentir uma força que fazia com que os pés deixassem de estar tão acentes na terra...na realidade Rosa estava a começar a voar. Foi então que se apercebeu que aqueles dois passaros seria Guida e João e que naquele momento a estavam a tentar ajudar... aquela criança seria como que a "salvação", a força que era necessária para continuar a viver, para abraçar a vida com os dois braços e nem pensar em deixa-la partir! Rosa sabia que ia ter de sofrer algum tipo de metamorfose, não só por fora mas também por dentro... e que ia voltar a sua filosofa de vida, mostrar aos outros o porquê de cá estarmos... O porquê de termos corpos que nos dêm prazer... o porquê de um sorriso no sitio certo "à hora marcada" EHEH

Tuesday, February 10, 2004

 

(dedico este texto a todos aqueles que se amam, mas não que não se revêem no dia que se avizinha)

Nova Deli, 14 de Fevereiro de 2104

É num modesto quarto desta misteriosa cidade que te escrevo esta carta. É neste modesto quarto que sinto a minha vida esvair-se como o fumo daqueles cigarros que partilhávamos. É aqui que talvez pela ultima vez te escrevo e celebro assim o amor que nos une para além da eternidade... para além da singela e ridícula existência humana.

Não sei como estás, pois as tuas cartas só me falam da tua infinita grandiosidade que teimas em preservar, mesmo quando a decadência e a crueldade dos anos que passaram queimam irredutivelmente o fabuloso sopro que nos une e nos dava vida.

Felizmente que hoje já não se comemora o estúpido dia de S. Valentim ou pior que isso o Dia dos Namorados, é hoje o aniversário do dia em que nos conhecemos, naquele encontro sublime na manhã nebulosa e fria em que, os dois caminhávamos na praia, em sentidos opostos. Foi sem dúvida o encontro mais inesperado e mágico que alguma vez tive, quando nos sentamos na areia e tu, como só tu sabes fazer, me começaste a falar de ti e das viagens que fazias enquanto caminhavas pelo areal.
Senti um calafrio quando percebi o que muito filosoficamente, me explicaste sobre o que para ti era o amor e o sentido da tua existência! Já sabias a resposta daquilo que eu há muito andava a procurar e muito simplesmente a encontrei contigo, no teu discurso sóbrio e conciso. Desde esse dia que as nossas vidas foram diferentes e foram muitos os 14 de Fevereiro que passámos juntos... nunca celebrando tal coisa mas sim celebrando o nosso encontro que nos transformou e nos uniu até hoje.

Nunca te vi como um homem, a não ser nas nossas noites de prazer. Nunca te vi como um deus a não ser quando rias e dançavas para mim, nunca te vi como um humano, a não ser quando choravas no meu colo... Sempre te vi como uma alma... um espírito... que procurava incansavelmente um repouso e o encontro com o Infinito.
Longe vão as chamas da nossa paixão que não eram como caruma que arde e se extingue, mas sim um tronco de sobreiro que lentamente vai ardendo e momentaneamente se incendeia voltando depois ao calor gostoso mas racional, porque detestas a cegueira, mesmo quando ela é provocada pelo desejo.

Sinto saudades de ouvir de ti a palavra “amo-te”, que não esbanjavas a torto e a direito, mas que guardavas para os momentos que adivinhavas serem para mim especiais.
Sinto saudades de quando me lias os teus poemas e sorrias deixando transbordar uma discreta lágrima de emoção, sentido profundamente o que acabavas de recitar.
Sinto saudades quando te “retiravas” para o mundo que era só teu e me deixavas ali, a vislumbrar-te, morto de desejo de também eu o conhecer.
Sinto saudades das óperas que ouvíamos e da música que era a forma mais fácil de nos deslumbrar-mos e de sentirmos aquilo que nos fazia estar juntos.
Tenho saudades daqueles fins de dia em que os dois, num silêncio cúmplice, contemplávamos o pôr-do-sol, ao abrigo daquela árvore centenária que testemunhou as nossas mais inquietantes reflexões.

Foste o único... sempre to disse. E não me canso de o repetir. Foi e é único o nosso amor, que sempre vivemos e sempre celebrámos com toda a intensidade que conseguimos... foi toda uma vida que vivemos e partilhámos até que o destino nos separou e nos conduziu para outras paragens, nunca nos dividindo pois sinto-te perto de mim... tão perto como nos nossos abraços em que secretamente me dizias ao ouvido que querias que aquele momento se eternizasse e para sempre nos fundíssemos e finalmente o Infinito se concretizasse.

Meu Amor, hoje, 14 de Fevereiro de 2104, despeço-me de ti... despeço-me da vida, dizendo-lhe um simples obrigado por esta grande dádiva... tudo o resto foram acasos.

Para ti, e para todo o sempre com amor.

 



Coimbra ou a região vizinha não parecem ser sítios fáceis de se ser homossexual…
O Tó e o Miguel demonstraram parte disso no modo como falaram da sua própria homossexualidade… se fosse eu a escrever algo não seria muito diferente…
Foi talvez por isso é que associação de que fazemos parte os três, que celebra no próximo dia 14, o seu segundo aniversário decidiu nas comemorações que está preparar realizar um conjunto de actividades diversificadas.
Entre elas está o colóquio “Em Busca dos Sentidos”, durante o dia na Casa Municipal da Cultura – ficha de inscrição em www.portugalgay.pt – mas também…
Uma festa, que intitulámos Queer Party - e da qual o Tó é um das almas -, festa esta que terá música, alegria e algumas surpresas, e que se realiza na Cantina das Químicas, Faculdade de Ciências e Tecnologia, a começar cerca das 23 horas!
Apareçam!



Monday, February 09, 2004

 

O meu amigo Tó escreveu sobre a cidade de Coimbra, eu não sou de Coimbra e como tal tenho que fazer representar também aqui o mundo rural onde vivo e que na maior parte do tempo me agrada. A cidade de Coimbra é para mim uma mera obrigação, pois é lá que completo o meu vasto leque de necessidades e que na minha santa terrinha recôndita, mas sobranceira aos verdejantes ou espelhados campos do Baixo Mondego, não encontro.
Para vos dar uma ideia do sítio onde moro, não existem jornais à venda e para os comprar terei de fazer 4 quilómetros. Não nasci cá, mas fui cá criado e era uma criança que tresandava a ovelhas pois o meu tio-avô era pastor... tive uma infância livre calcorreando searas e pinhais crescendo ao sabor das estações e ao som do permanente chilrear dos pássaros... Desde criança também que sou adepto da vida no campo, muito embora não abdique dum pouco de banhos de urbanidade que às vezes tomo, aliás sou como assim dizer um espectador atendo do mundo rural não fazendo de todo parte dele.



No mundo rural não há diversidade, isso é lógico, ou pelo menos formas de viver a vida distintas... digamos que tudo funciona numa perfeita harmonia, num completo equilíbrio entre as pessoas e a natureza onde. não se passa nada. Rigorosamente nada! Tal é esse equilíbrio. As pessoas dão-se harmoniosamente e desde muito cedo aprendemos a dizer um “BOM DIA” aos que connosco se cruzam na rua, é algo quase instintivo... nem “olá como esta?” nada... apenas “BOM DIA” ao que o outro responde da mesma forma seguindo o seu caminho, mas o mais impressionante é o “timing” dos dois sujeitos que nunca falha, pois trocam os olhares e cumprimentam-se num momento muito exacto da passagem... tão perfeito que é o equilíbrio.
Depois há aqueles que param a marcha, geralmente os mais velhos e conversam duas ou três palavras e seguem ou então prolongam-se durante horas, porque por aqui no campo as pessoas não tem agendas e como tal vivem de acordo com as circunstâncias e se a circunstância é conversar no meio da estrada então é isso que se faz, porque o que há para fazer pode esperar nunca deixando de ser feito!
Os temas abordados são também reflexo desse equilíbrio, pois não variam muito, fala-se das hortas e do tempo, da falta de dinheiro ou dum ou outro problema de saúde... e as mães... essas... passam horas a trocar impressões sobre a vida intima dos filhos.
A vida é simples... tão simples que pouco ou nada exige dos aldeãos, apenas alguma robustez física e uma certa consciência moral para viver de acordo com o que ninguém estabeleceu, mas com que toda a gente concorda, porque nem se questiona! As coisas SÃO assim, SEMPRE FORAM e acredito que nem sempre serão.
A questão da amizade é interessante. As pessoas são todas amigas umas das outras excepto alguns que se zangaram sempre por questões de pedaços de terreno, ou problemas nas heranças, tirando isso todos convivem harmoniosamente tolerando e aceitando as manias e devaneios uns dos outros.
Os jovens, poucos, desde muito cedo começam a abandonar as escolas, porque querem dinheiro que os pais mesmo tendo, não são de o esbanjar. Mas o sonhos deles não é ir morar sozinhos, nem conquistar a autonomia, é ter um carro e dinheiro para os copos... sair de casa dos pais só quando aparecer uma mulher que lhe faça as vezes da mãe, e isto só depois de alguns anos de namoro celebrado e casamento com a benção da Santa Madre Igreja.
E agora as tais cores... como é ser homossexual por aqui? Não é mau. Até hoje ninguém me apontou o dedo, não me defronto com situações constrangedoras e limito-me a não perturbar o equilíbrio, se não o perturbar tudo corre bem, porque o segredo está mesmo aí, em não perturbar o equilíbrio se eu não o fizer os outros também não o farão.
É certo e modéstia à parte eu fui um dos que pulou a cerca e desde muito cedo percebeu que o mundo não é só este, onde moro, e tendo uma relação de Amor/Ódio com o meio rural o ódio morreu e o amor acho eu que também... talvez tenha restado uma certa indiferença que me tornou num intruso deste espaço, mas que nem por isso me incomoda, apenas porque é bom poder saborear coisas que estão esquecidas há muito pela maioria e principalmente pela minoria a que pertenço (cada vez mais acho que por acaso), muito urbana e acelerada.
Por aqui vive-se mais devagar o que nos dá a sensação de que a vida é mais longa, e o ritmo, esse é lento... cíclico... mas que não nos impede de rigorosamente nada, apenas passamos pela vida como o vinho pelo casco em que a idade é sinal de maturidade sabedoria e não uma desvairada tentativa de recuperar o tempo perdido.

Harmoniosamente aqui pelos campos do Mondego se vai vivendo e claro está que me é muito agradável fazer os 25 minutos, estrada fora, campo adentro, a ouvir Antena 2 no quentinho do meu carro em direcção a Coimbra... é a melhor forma de se começar o dia com a paisagem muito diversa ao longo do ano, mas as pessoas sempre iguais. Iguais a si mesmas alheadas de todo um mundo enorme que corre lá fora, ali mesmo ao lado, mas que nem por nada perturba o eterno equilíbrio do mundo rural.

 

Ensaindo estou.
Procurando em mim palavras...
Os nomes...
Do que em mim sinto...

 



Já escrevo há algum tempo para este Blog (embora tenha estado calado estas últimas semanas) e nunca me ocorreu apresentar-me minimamente... Sou estudante da Universidade de Coimbra, homossexual, e faço parte deste grupo de amig@s!
Este blog teve, ou melhor tem como objectivo podermos dar a conhecer a “nossa” visão de Coimbra (apartir das “margens” do Mondego) sobre aquilo que se passa no mundo Queer, ou não! Queer para quem nunca ouviu a expressão, tem o seu significado do calão Inglês como “bichona”, por outro lado do Castelhano, torcida ... que foi a expressão escolhida pelo grupo para a “traduzir”.
Não é fácil ser-se homossexual em Portugal, principalmente quando se vive num meio pequeno, em que os pais sabem da nossa orientação sexual, não aceitam ou não querem perceber que muitas vezes a felicidade do seu próprio filho será mais importante do que ter medo daquilo que os vizinhos possam ou não pensar a nosso respeito e mesmo a respeito deles!?!
Morar sozinho, ou melhor ir estudar para fora sempre foi como que um sonho. No entanto este sonho não é de todo cor-de-rosa! Estar “sozinho”, ter de preparar as próprias refeições, controlar o tempo, assim como o desejo de querer sair para estar com os amigos e mesmo assim saber que se tem de ir as aulas...sem uma voz de comando (muitas vezes a voz dos pais, para quem não tem uma voz de consciência que fale muito alto) muitas vezes é díficil, falo no meu caso específico, que raramente vou as aulas!
Sempre foi o que quis, morar “sozinho” e consegui-o!
Para muitos “sair” de casa, assim como para mim, é um mito tornado realidade... Ir para uma “grande” cidade, onde se pensa bem EU sou diferente, sendo-se homossexual ou não, a vida quotidiana será bem mais fácil. No entanto as coisas não são bem assim, infelizmente...
Aos olhos de muitos a cidade é uma profunda desilusão, e Coimbra é de todo um bom exemplo. Coimbra é-me tão querida, que me senti no direito de lhe chamar também “a minha” cidade! Esta tão bela cidade, que tem um conteúdo histórico alargado, assim como que algum conteúdo dramático nessa mesma “história” tem tudo para ser uma grande metrópole.
Coimbra encerra em si várias raças, culturas e estilos de vida, que poderia mesmo ser conotada como uma grande metrópole... Então o que acontece para que isto não aconteça?
Numa metropole a diversidade reina. Pessoas de raça negra, amarela, vermelha, branca homossexuais, bissexuais, transformistas, “dreads”, “freaks”, loir@s, moren@s... Todos eles estão misturados, as suas vidas cruzam-se, mudam e voltam a cruzarsse. Encotram-se nos mais diversos e variados sítios... E isto é o que acontece em Coimbra. Mas aquando desta multi-diversidade, estas pessoas tão diferentes entre si têm locais específicos onde se sentem bem, onde podem encontrar alguém “parecido” com quem se idenfifiquem, onde podem desabafar com alguém que o pode compreender. Onde podem libertar “aquelas” correntes que muitas vezes lhes inibem o comportamento e expressividade.
É aqui que esta cidade falha! Se virmos o exemplo de Leiria, uma cidade bem mais pequena, e falando agora da sociedade homossexual... Leiria tem infrastruturas capazes de suportar este tipo de necessidades. Como é que é possível, o que está a falhar aqui, em Coimbra?!?
Mas o caso dos homossexuais, é apenas um caso, são uma minoria sexual. E infelizmente tudo aquilo que é minoria, sendo considerada sexual ou não, tem este tipo de contratempos... Ou não será de todo verdade?!?
Não sou racista! Não, não vou referir aquela celebre piada: “Tanto aperto a mão a um branco, como o pescoço a um negro”... Não, não sou em nada racista, até porque as peles mais escuras me dizem muito, mas já ia-mos ter de entrar em aspectos sexuais da minha pessoa, que acho que não terá muito que ver com o tema escolhido para este texto...talvez um dia escreva algo sobre: “Os objectos de desejo” (fica prometido)!!!
A raça negra em Coimbra se pensarmos bem, quase que predomina, e estes têm a sorte de embora serem considerados como uma minoria terem bares específicos, terem até uma noite numa das discotecas mais frequentadas por estudantes, a Via Latina...
Sim é uma discoteca que muita gente gosta de frequentar... têm a noite da mulher a Terça-feira, a noite africana a Quarta-feira. Já tiveram noite “temáticas” em que a música que predominava era drum’n’base, hip-hop, talvez até rap (em que aqui já conseguimos fazer com que outras “classes” que normalmente não frequentariam a Via Latina, não querendo com isto fazer esteriótipos, vão lá e gostem do ambiente que lá encontram) ... mas a população homossexual não, essa é esquecida!
Vivemos num seio universitário, em que muitos têm dificuldade e mesmo medo de “sair do armário”. Ou porque moram com desconhecidos e têm medo da não aceitação por parte deles, ou porquê têm medo do que os colegas de faculdade possam pensar depois de se depararem com alguém com uma orientação sexual diferente, ou mesmo tantas outras coisas que os inibem!
Coimbra neste aspecto não ajuda... Há uns tempos na Casa Municipal da Cultura, aquando da semana de comemoração da Carta dos Direitos Humanos, num debate sobre “A Cidade e os Direitos Humanos” a presidente do Conselho da Cidade foi confrontada com este tipo de coisas. Referiu-se na altura o querer remodelar a outra margem do mondego, muitas vezes as pessoas não percebem a estrutura e disposição das “coisas” numa cidade e por ridículo que possa parecer a muitos, a outra margem do mondego é uma zona muito frequentada a noite, pela população homossexual coimbrã e não só. É uma zona de engate, que é usada normalmente pelas pessoas que têm uma certa dificuldade em sair do armário, por pessoas que vivem uma sexualidade escondida...e mesmo por homens casados, que decidiram vivier uma sexualidade dupla, uma que lhes dá estabilidade a nivel social e a outra que os satisfaz durante a noite!?!
Vivemos numa cidade escura, em que as trevas muitas vezes predominam. Sendo a população homossexual tão colorida, tão alegre (sendo o nosso “icon” a bandeira do arco-íris)... vamos unir-nos, fortalecer-nos, vamos dar uma nova cor a esta cidade presa a preconceitos históricos que devem ser quebrados. Há anos atrás as mulheres não podiam votar, as mulheres não saiam de casa para trabalhar ... isto mudou na altura das grandes guerras!Até agora as mulheres não podem mandar no seu corpo, referindo o casa do aborto... e espero que isto possa mudar!
Tantas lutas travadas, é apenas mais uma... vidas não serão sacrificadas, não estamos em guerra, mas queremos tentar vencer:)
Já agora, aquando de podermos colorir esta cidade com novas cores, não devem esquecer uma festa temática, com muita cor, muita música... que se vai organizar dia 14 de Fevereiro, para muitos sendo conotado como o “dia dos encalhados” (dado que este dia muitas vezes, serve só e apenas para relembrar “aos que não namoram” que estão encalhados!?!). A festa é referente à comemoração do segundo aniversário de uma associação de Defesa dos Direitos Sexuais – Não te prives :)

Friday, February 06, 2004

 

Um dos diários da cidade de Coimbra traz esta história, sobre um julgamento de abuso sexual de menores de uma jovem, publicada nas sua páginas... como será pouco conhecida resolvi publicá-la aqui para um conhecimento mais alargado. Esta situação, nomeadamente os meandros legais do processo, diz muito sobre esse polémico assunto tão na "berra" em Portugal... leiam e comentem...

Aqui vai a localização da pequena vila onde se deram os acontecimentos


E uma imagem de uma das figuras históricas da região o Marquês de Marialva... ironia? um marialva nesta história? ou o simbolismo das linguagens!



CANTANHEDE – Acusado de crime sexual absolvido por prescrição
Tribunal deu como provado “comportamento criminoso”


As Beiras 05-02-2004
Tânia Moita

O Tribunal de Cantanhede absolveu ontem Luís F. do crime de coacção sexual de menor agravado, apesar de considerar que o homem teve de facto um “comportamento criminoso” para com a jovem Cátia, desde os 12 anos de idade. Luís F. sai em liberdade, mas foi condenado a pagar 20 mil euros de indemnização.
No final da leitura de sentença, que durou quase uma hora, os familiares da jovem Cátia estavam revoltados e, sobretudo, confusos. É que o colectivo, presidido por Fernanda Roberto, deu como provado o “comportamento criminoso” de Luís F., mas absolveu-o, condenando-o apenas ao pagamento de 20 mil euros à vítima. Tudo porque o prazo de apresentação de queixa prescreveu.
O Tribunal de Cantanhede deu como provado que o arguido, aproveitando-se da proximidade que existia com os pais da vítima – que inclusive o tratava por padrinho, uma vez que este era de facto padrinho de baptismo do seu irmão mais velho – manteve com a criança comportamentos impróprios, desde os 12 anos. Fruto da confiança que tinha junto dos pais desta, acompanhava-a para a escola e outros locais, parando junto de pinhais onde alegadamente lhe apalpava os seios e a beijava, valendo-se da autoridade que exercia sobre a criança para conseguir o seu silêncio.
No rol de factos provados, a juíza presidente referiu ainda que Luís F. controlava a jovem, impedindo que esta desenvolvesse um relacionamento normal com adolescentes da mesma idade e que, “após os 15 anos”, masturbava-se na sua companhia, entre outras sevícias sexuais.
De acordo com a avaliação do colectivo, terá sido por volta dos 16, 17 anos que Cátia terá compreendido a gravidade do comportamento do “padrinho”.
Apesar de dar como provados estes factos, o acórdão refere não ter ficado provado que o arguido exercia sobre a vítima violência física e que, por isso, a acusação sobre Luís F., de 45 anos, residente na freguesia de Febres, não podia ser de coacção sexual agravada, mas sim de abuso sexual de crianças, pelo menos até à altura em que a jovem completou 14 anos. Acresce que mesmo desta acusação o arguido seria ilibado pelo facto da lei determinar que, para haver procedimento criminal, seria necessário que a jovem tivesse apresentado queixa até seis meses após ter completado 16 anos de idade. Como só aos 18 – e depois de uma tentativa de suicídio, em Setembro de 2002, e da insistência da família em saber a razão da sua tristeza – a jovem se decidiu a denunciar o “padrinho”, concretamente em Outubro de 2002, este prazo já tinha sido ultrapassado.
Mesmo assim, o tribunal considerou que Luís F. ofendeu o direito de personalidade da jovem no decorrer da sua “actuação perversa” e condenou-o a pagar 20 mil euros de indemnização.

“Não há justiça”

Carlos Pessoa, advogado da jovem, adiantou que vai estudar o acórdão para decidir se vai ou não recorrer, referindo, no entanto, que “uma vítima de abuso sexual não tem capacidade suficiente para, aos 16 anos, decidir apresentar queixa”.
Já a família da jovem saiu revoltada do Tribunal. “Como é que é possível que os factos fossem provados e ele sai em liberdade do tribunal? Eles sabem que não vão para a prisão e vão continuar a fazer estas coisas”, eram algumas das expressões de indignação da família.
“Uma miúda com 16 anos, que tem medo, como é que vai fazer a denúncia? Como é que é possível, ele fez o que fez e o cadastro fica limpinho?”, questionavam, concluindo que “não há justiça” e que os problemas psicológicos da jovem vão agravar-se com a impunidade do seu alegado agressor.

Thursday, February 05, 2004

 

Num momento em que num blog, um tal de intimista, se discute casamento ou não de casais homossexuais, aqui vai uma notícia sobre o que se passa na terra do "tio sam"...

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O Supremo Tribunal de Massachusetts (EUA) decidiu que apenas efectivos direitos iguais e completos para casais LG - em vez de uniões civis de facto e outra coisa do género como as PACS francesas - seriam constitucionais. Estamos assim a caminho de casamentos homossexuais nos EUA? Sim… poderão mesmo ocorrer neste Estado a partir de meados de Abril. E com eleições à porta as coisas irão aquecer...

Refere a notícia que o documento do Supremo Tribunal afirma que "A história de nossa nação demonstra que o diferente quase nunca é igual", acrescentando que uma lei que permite uniões civis, em vez de casamentos, "concede um status inconstitucional, inferior e discriminatório para casais homossexuais". Recordamos que este tribunal do Estado de Massachusetts decidiu em Novembro que casais homossexuais têm o direito constitucional de se casar e deu aos legisladores seis meses para mudar as leis estaduais.

Os protestos
Claro que quando foi conhecida, em Novembro, esta decisão provocou protestos de políticos, líderes religiosos e outros que se opõem a conceder o direito inédito de casamento a casais gays. George W. Bush imediatamente criticou a decisão e prometeu conseguir uma lei para proteger a definição tradicional de casamento. Líderes da igreja de Massachusetts, de maioria católica, também pressionaram seus fiéis a se opor aos esforços para permitir o casamento de gays. Mas este tribunal na última década fez já história ao ampliar os parâmetros legais da família, decidindo que casais homossexuais podem adoptar crianças.

As estatísticas
Massachusetts tem uma das maiores concentrações de casais gays nos EUA, com 1,3% do total de casais, segundo o Censo de 2000 e na Califórnia, o índice é de 1,4%. Vermont e Nova York também registraram 1,3%, enquanto no distrito de Washington, o índice é de 5,1%.


Wednesday, February 04, 2004

 

A situação da Liliana e da sua companheira (ver os comunicados em www.portugalgay.pt) tem nos mostrado também algo sobre o jornalismo em Portugal? Essa é a opinião do João Paulo do PG... num crítica a uma notícia publicada hoje no Público

Mais rigor nas notícias que temos pelo bem do público


Passados 15 dias do desalojamento de Liliana e sua companheira vemos uma notícia sobre o assunto no Jornal Público de hoje, 4 de Fevereiro, na secção Local Lisboa.

Lisboa: Casal de lésbicas processa câmara
O casal de lésbicas desalojado em Janeiro pela Câmara de Lisboa vai avançar com três processos judiciais contra o município e uma denúncia a nível internacional junto da Amnistia Internacional e da associação de homossexuais ILGA. O casal diz que tem vivido "praticamente das esmolas dos amigos" desde que foi demolida a 22 de Janeiro a casa dos pais de Liliana, um dos membros do casal onde habitavam, no Bairro da Cruz Vermelha. "Naquela habitação vivia apenas um casal com uma filha, a quem foi atribuída uma nova casa. O que se passa é que a filha não quis ir viver com os pais", disse à Lusa a vereadora da Habitação, Helena Lopes da Costa, que justifica a recusa de realojamento alegando que "a câmara não pode dar casas a mais sempre que surjam conflitos familiares".


Diz a noticia:..."o que se passa é que a filha não quis ir viver com os pais".
Palavras proferidas pela Vereadora da Habitação da CML. Como estaria a senhora Vereadora vivendo com alguém que a sujeitasse a violência? Como se sentiria se alguém que deu uma casa a essas pessoas que a maltrataram lhe dissesse que não está com eles "porque não quis"?

Não se trata de querer ou não querer... trata-se de ter a Vereadora da Habitação da CML a compactuar com violência doméstica apenas porque provavelmente no seu entender a violência é legítima quando aplicada a alguém de orientação sexual diferente da maioria.

Quanto ao jornal que publicou a notícia em causa sugeria mais atenção no seu trabalho, e que fizesse uma noticia com cabeça, tronco e membros, e não uma noticia tendenciosa e também ela conivente com os factos acima citados.

João Paulo
Editor site PortugalGay.PT


 

Descobri algures um arco-íris bonito… gostei



Mais do que um arco íris é sentir no dia de hoje correr um pocuo melhor visto que tenho imensos problemas com o meu mail fruto do ataque "viritico" dos ultimos dias e que me tem impedido de enviar uma data de coisas a alguma pessoas...
Por isso olho o arco-íris... e sonho...

Tuesday, February 03, 2004

 

E já que nos apetece cantar porque não Maria Betânea?...

Casinha branca
Eu tenho andado tão sozinha
Ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe
A felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer

Eu queria ter na vida
Simplesmente
Um lugar de mato verde
P’ra plantar e p’ra colher
Ter uma casinha branca
De varanda
Um quintal
Uma janela
Para ver o sol nascer

As vezes saio a caminhar
Pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão
Mas me retraio olhando
Em cada rosto
Cada um com seu mistério
Seu sofrer sua ilusão

Eu queria ter na vida
Simplesmente
Um lugar de mato verde
P’ra plantar e p’ra colher
Ter uma casinha branca
De varanda
Um quintal
Uma janela
Para ver o sol nascer

 

ok esta coisa das fotos não tem sido fácil... mas pelo que entendi já consegui colocar fotos...
o teste é feito com umas fotos do site portugalgay.pt... que desde já agradeço aos "meninos do norte" a sua publicação... e são fotos da marcha do orgulho 2003... o que já agora faz recordar...



o abraço, nós e o cão



contra a homofobia e o sexismo de caras...



a tv, o gay ou o cigarro a incomodar...




 

Uma ideia para o dia d@s namorad@s...


Em Busca dos Sentidos, Sexismo e Homofobia

Sábado, 14 de Fevereiro 2004
Casa da Cultura, Coimbra


Ao comemorar o seu 2º aniversário associação não te prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, realiza no próximo dia 14 de Fevereiro, na cidade de Coimbra, o Colóquio Em Busca dos Sentidos, Sexismo e Homofobia.
As comemorações deste 2º aniversário são pensadas em torno dos 5 sentidos. Reunindo um conjunto de profissionais e activistas que trabalhem sobre a área das sexualidades, este colóquio pretende constituir-se como um espaço de reflexão e aprendizagem partilhada. Todos os momentos do colóquio serão seguidos de um espaço de debate com a audiência.


Inscrição Obrigatória no valor de 10 euros, com direito a documentação do Seminário e Certificado de Participação.

Organização:
não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, Apartado 3113 - 3001-401 Coimbra
naoteprives@yahoo.com
telem. 969574977

Programa9h30: Acolhimento
10h00: Para abrir os sentidos…
Câmara Municipal de Coimbra*
Universidade de Coimbra*
Conselho da Cidade de Coimbra
Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra
Instituto Português da Juventude – Delegação de Coimbra*
Centro de Estudos Sociais

10h30: Os “cheiros” das ideologias
Miguel Vale de Almeida
Lígia Amâncio
Moderador: Paulo Jorge Vieira

12h30: Almoço

14h00: Tacteando representações
Virgínia Ferreira
Gabriela Moita
Moderadora: Ana Cristina Santos

16h30: Ouvindo as histórias do activismo
Rita Paulos da Silva (rede ex aequo)
Maria José Magalhães (UMAR)
Sérgio Vitorino (Panteras Rosas)
Catherine Thomati (Linha SOS Estudante)
Moderador: Bruno Pinheiro

* presenças a confirmar

20h00: Os sabores do desejo

Jantar temático (inscrição individual obrigatória, com pagamento no acto do jantar cerca de 12 euros)

22h00: Entre o ver e o festejar – queerparty
Cantina das Químicas, Universidade de Coimbra a partir das 23h
Momento cultural, entre festa, espectáculo de transformismo, música e muita alegria

Monday, February 02, 2004

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto... me ha dado la capacidad de amar, y de ver la luz se acercando de la belleza del sol en los ojos de cada hombre e mujer....

GRACIAS A LA VIDA
Canta: MERCEDES SOSA

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco.
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo.
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la vida que me ha dado tanto...